Sofrimento subjetivo em adolescentes no contexto escolar: subjetividade, relações familiares e escola
adolescência, subjetividade, sofrimento subjetivo, relações familiares, educação e saúde
Nos últimos anos, observa-se um aumento significativo de quadros de sofrimento subjetivo entre adolescentes nas instituições de ensino no Brasil. Esse cenário se expressa, entre outros aspectos, na ampliação dos diagnósticos de depressão e ansiedade e no crescimento das taxas de suicídio entre jovens. Esses processos têm produzido impactos no desenvolvimento subjetivo dos estudantes, em suas trajetórias escolares e na qualidade dos processos educativos, evidenciando a necessidade de aprofundar investigações que permitam compreender a complexidade das experiências de sofrimento. Apesar de sua relevância, a dimensão subjetiva desse fenômeno ainda ocupa lugar limitado na produção científica no campo da educação e, quando considerada, frequentemente é analisada a partir de perspectivas clínicas ou individualizantes que tendem a desconsiderar os contextos relacionais e institucionais. O objetivo desta pesquisa é compreender as configurações subjetivas do sofrimento de adolescentes, enfatizando o papel das relações familiares e da vida escolar na organização desses processos. A base teórica é a Teoria da Subjetividade em uma perspectiva histórico-cultural, desenvolvida por González Rey, a partir da qual o sofrimento subjetivo é compreendido como configuração subjetiva dominante, geradora de mal-estar e vinculada à fragilização dos recursos subjetivos do indivíduo, limitando suas possibilidades de posicionar-se ativamente e de gerar opções criativas nas diferentes esferas da vida. A pesquisa será realizada com três adolescentes e utilizará instrumentos qualitativos, incluindo dinâmicas conversacionais, complemento de frases, desenho livre, técnica das histórias em quadrinhos e participação em espaços formais e informais do contexto escolar. Como contribuição, o estudo busca ampliar a compreensão do sofrimento adolescente no campo educacional, articulando subjetividade, relações familiares e vida escolar, além de oferecer elementos teóricos e analíticos que possam subsidiar reflexões sobre práticas educativas orientadas ao desenvolvimento subjetivo.