Banca de DEFESA: Daniela de Azevedo

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Daniela de Azevedo
DATA : 27/08/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Faculdade de Educação e Plataforma RNP
TÍTULO:

O GROTESCO FEMININO NO DIGITAL E EDUCAÇÃO: UMA CARTOGRAFIA DAS TRANSMIDIAÇÕES DE VÊNUS E MEDUSA


PALAVRAS-CHAVES:

Educação visual e estética. Cultura digital. Espécies bastardas. Venusa. Flânerie digital.


PÁGINAS: 230
RESUMO:

A contínua transformação cultural impulsionada pelas tecnologias digitais e pelas mídias sociais tem reconfigurado as normas estéticas e comportamentais contemporâneas. Esse cenário revela uma lacuna nos debates sobre educação visual e estética, sobretudo quanto à exploração do grotesco feminino como recurso crítico para compreender as disputas de visibilidade e os modos de representação do corpo feminino na cultura digital. Diante dessa lacuna, a pesquisa problematiza de que modo as imagens grotescas do feminino em circulação no digital reforçam ou desestabilizam os regimes de visibilidade do corpo feminino. Como flâneuse (Elkin, 2022), em minhas perambulações pelos fluxos da rede, cartografei as transmidiações dessas imagens a partir das figurações de Vênus e Medusa, buscando compreender de que modo essas imagens se constituem como dispositivos estético-políticos na reorganização dos regimes de visibilidade do corpo feminino e na formação sensível dos sujeitos na cultura digital. O movimento metodológico fundamentou-se na cartografia como ética e na flânerie digital (Ganley, 2019) como gesto de imersão e leitura sensível das imagens em rede, articulado à composição de pranchas analíticas inspiradas no Atlas Mnemosyne (Warburg, 2010). A análise foi desenvolvida a partir das dimensões estética, corporal, filosófica e política que atravessam o corpo grotesco feminino, ancorada na Filosofia da Diferença (Deleuze; Guattari, 1992; 1995; 1996; 1997; 2010), e nas teorias do grotesco (Bakhtin, 1987; Russo, 2000; Kayser, 2013; Sodré; Paiva, 2014). Os resultados indicam que as figurações de Vênus e Medusa emergem no digital como formas instáveis e em trânsito, continuamente reconfiguradas por repertórios coletivos, linguagens meméticas e tecnologias de edição e geração de imagens. Atravessadas por processos de captura e resistência, as transmidiações mostram que o sentido se produz na circulação, em montagens que reativam mitos clássicos e os reposicionam em disputas contemporâneas, dando origem a espécies bastardas, como Venusa, que expressam a potência de hibridização (Haraway, 2023). A partir da hipótese de que as imagens grotescas do feminino, ao serem transmidiadas no digital, produzem deslocamentos nos regimes de visibilidade do corpo feminino e favorecem a emergência de outras formas de subjetivação, de resistência e de educação do olhar, defendi a tese de que as imagens grotescas do feminino, quando transmidiadas no ambiente digital, funcionam como dispositivos estético-políticos de produção de sentidos, que reorganizam os regimes de visibilidade do corpo e do rosto feminino. As transmidiações do grotesco feminino no digital transcendem a mera ocorrência imagética isolada e participam diretamente da formação sensível ao (des)ensinar valores visuais e desvelar as formas como se aprende a desejar, rejeitar ou naturalizar corporeidades na cultura digital. Nesse sentido, a pesquisa buscou oferecer instrumentos críticos para a educação visual e estética, fortalecendo modos de ver que reconheçam, no grotesco, tanto as engrenagens da captura quanto os rastros de insubmissão, abrindo possibilidades de intervenção ética e criativa diante do fluxo incessante de imagens que, a cada rolagem, redefine o que pode um corpo feminino no digital.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1151554 - ANDREA CRISTINA VERSUTI
Interna - 3120022 - ETIENNE BALDEZ LOUZADA BARBOSA
Externa ao Programa - 2330228 - PAULA GOMES DE OLIVEIRA - UnBExterna à Instituição - KARINA ROUSSENG DAL PONT - UFPR
Externa à Instituição - ALDA REGINA TOGNINI ROMAGUERA
Notícia cadastrada em: 11/08/2026 09:08
SIGAA | Secretaria de Tecnologia da Informação - STI - (61) 3107-0102 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - app21.sigaa21