Autonomia como ato relacional: contribuições para a educação a partir da Teoria Histórico-Cultural
autonomia; educação; ato relacional; Teoria HistóricoCultural; vivência.
Esta tese investigou o desenvolvimento da autonomia na educação à luz da Teoria Histórico-Cultural, compreendendo-a como ato relacional. Fundamentada no método instrumental de Lev Semionovitch Vigotski, a pesquisa foi realizada na Escola Vivendo e Aprendendo, em Brasília. A vivência (perejivânie) foi assumida como unidade de análise e orientou a elaboração dos Contos Vivenciais e do Avesso do Conto, recursos na organização e análise do material empírico. O percurso investigativo acompanhou situações em que as crianças participavam da organização da vida escolar, da elaboração de acordos, da tomada de decisões, da resolução de conflitos e da sustentação das práticas coletivas. Os resultados evidenciaram que a autonomia se constitui nas e pelas relações, realizando-se nas vivências de autogestão, conflito, escolha e colaboração, bem como na elaboração e no enraizamento das regras coletivas, processos mediados pela palavra. O conflito mostrou-se dimensão constitutiva desse processo, favorecendo a tomada de consciência da situação, a ampliação das possibilidades de escolha e a ação consciente. A organização autogestionária da vida escolar revelou-se fundamental para que as crianças assumissem responsabilidades, interviessem nos rumos da vida comum e desenvolvessem o domínio do próprio comportamento. Conclui-se que a autonomia emerge da trama de relações que constitui a existência humana e encontra na autogestão um modo privilegiado de realização. A pesquisa contribui para o campo educacional ao compreender a autonomia como ato relacional e histórico-cultural, oferecendo elementos empíricos para a organização intencional de ambientes educativos comprometidos com a participação das crianças, o desenvolvimento humano e a sustentação da vida comum.