ENTRE ESTUDAR, VIVER E DESENVOLVERSE: O MODO DE VIDA UNIVERSITÁRIO COMO REDE DE CONFIGURAÇÕES SUBJETIVAS
saúde mental; estudantes universitários; subjetividade; educação superior; Subjetividade na perspectiva Históricocultural
A saúde mental de estudantes universitários tem se constituído como um dos principais desafios das instituições de ensino superior. Esta tese, emerge do entrelaçamento entre prática profissional e pesquisa, teve como objetivo compreender a rede de configurações subjetivas do modo de vida universitário e suas relações com o sofrimento subjetivo e o desenvolvimento subjetivo, a partir do estudo de caso de uma estudante de uma universidade pública norte mineira. Fundamentada na Teoria da Subjetividade de González Rey, em perspectiva histórico-cultural articulada à Epistemologia Qualitativa e Metodologia Construtivo-Interpretativa, a pesquisa trilhou caminho de análise a produção de indicadores, hipóteses e construção de modelo teórico sobre as configurações subjetivas em estudo. O modo de vida universitário constitui uma rede dinâmica de configurações subjetivas historicamente produzidas, organizada pela articulação entre diferentes esferas da vida da estudante, dentre as quais a ação de estudar, as relações familiares, as relações sociais e a subjetividade social da universidade. O sofrimento subjetivo mostrou-se inseparável da trajetória singular da participante e das tensões produzidas nas relações entre sua história de vida e a subjetividade social universitária, na interseccionalidade entre raça, classe social e gênero. O desenvolvimento subjetivo revelou a emergência de novos sentidos subjetivos e novas formas de organização da experiência. A tese contribuiu para a compreensão do modo de vida universitário como uma rede de configurações subjetivas, ampliando a compreensão da saúde mental para além de perspectivas centradas em sintomas ou fatores de risco e evidenciando a subjetividade como dimensão constitutiva da experiência universitária. Além disso, a pesquisa explicita o potencial da aprendizagem como processo favorecedor do desenvolvimento subjetivo, sobretudo quando permeada por relações dialógicas, superando concepções restritas à aquisição de conteúdos, conhecimentos e competências e reafirmando seu papel na formação humana, posicionamentos e formas de viver a experiência universitária.