Banca de DEFESA: MAYRA CAMELO MADEIRA DE MOURA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MAYRA CAMELO MADEIRA DE MOURA
DATA : 28/09/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Laboratório de Ensino de Matemática / Departamento de Matemática
TÍTULO:

Enfrentamento à ansiedade matemática e a disparidade de gênero: uma proposta de intervenção com estudantes do ensino profissional e tecnológico por intermédio do estímulo do pensamento crítico e criativo em matemática

 


PALAVRAS-CHAVES:

Criatividade em matemática; ansiedade matemática; disparidade de gênero; pensamento crítico em matemática. 


PÁGINAS: 296
RESUMO:

A ansiedade matemática (AM) caracteriza-se como um conjunto de reações negativas apresentadas no processo de aprendizagem da matemática, impactando respostas cognitivas, comportamentais e fisiológicas geradas ao lidar com a disciplina. Estudos apontam que a presença de tal ansiedade pode afetar o desempenho em matemática e direcionar as carreiras dos alunos, com pessoas com altos níveis de AM tendendo a evitar carreiras com muita matemática. Há estudos sobre a relação do gênero com a AM, identificando que as mulheres eram mais comumente afetadas por essa ansiedade. A soma desses fatores pode ser uma das respostas para a escassez de delas na matemática e já há estudos que corroboram esse pensamento. Por outro lado, pesquisas apontam o papel do estímulo a criatividade matemática na mudança da relação com a disciplina, promovendo aumento no interesse, no desempenho e na motivação. Tais efeitos indicam que incentivar o pensamento crítico e criativo em matemática pode desenvolver essa competência com os estudantes e influenciar positivamente no desempenho, na disciplina e na redução da AM. Dessa forma, esta pesquisa visou identificar se uma intervenção baseada em criatividade e pensamento crítico em matemática pode influenciar nos níveis de AM, no desempenho em matemática e na disparidade de gênero de estudantes de primeiro ano do ensino médio profissional e tecnológico. Esta pesquisa foi desenvolvida sob uma perspectiva empírico-analítica do tipo pesquisa-ação de natureza mista. A etapa quantitativa iniciou-se com a aplicação de pré-testes, estabelecendo correlações entre ansiedade matemática, desempenho em matemática, criatividade em matemática e gênero. Em seguida, conclui-se a fase quantitativa com a aplicação dos pós-testes, que buscaram aferir efeitos da intervenção proposta na pesquisa. Tal intervenção baseou-se no desenvolvimento e aplicação de nove atividades extracurriculares baseadas nas Oficinas de Pensamento Crítico e Criativo em Matemática e permeadas por debates a respeito de disparidades de gênero. Seguimos com a etapa qualitativa, onde os relatos produzidos pelos estudantes ao longo das oficinas foram analisados e foram realizadas entrevistas individuais com homens e mulheres para buscar elementos quanto as mudanças provocadas no senso de pertencimento e na disparidade de gênero nos estudantes do ensino médio profissional e tecnológico. Os resultados indicaram que existe relação entre AM e desempenho criativo e cognitivo em matemática, de modo que níveis mais elevados de ansiedade de AM tendem a se associar a desempenhos menos favoráveis nessas dimensões, enquanto melhores desempenhos cognitivos podem se relacionar positivamente com a criatividade em matemática. Ademais, mesmo não identificando nenhuma diferença de desempenho entre meninas e meninos em relação a desempenho cognitivo em matemática, identificamos uma diferença significativa de gênero na AM, prejudicando as mulheres, antes da intervenção, algo que não aconteceu após as oficinas. Essa reversão foi majoritariamente na ansiedade das mulheres, evidenciando o potencial das oficinas de mitigar a AM, em especial nas meninas. Na criatividade em matemática observamos o surgimento de uma disparidade, favorecendo os homens, ao término das atividades, mesmo com as mulheres aumentando em seis vezes seu desempenho criativo inicial. Essa diferença pode estar associada a fatores culturais que incentivam os meninos desde muito cedo a atividades com resolução de problemas e invenções, dando-lhes um ponto de partida melhor que o delas. Também observamos um acréscimo no senso de pertencimento à matemática e nas reflexões sobre estereótipos de gênero, com estudantes apontando percepções de que a capacidade de fazer matemática é de todos, independente do gênero. Dessa forma, esta pesquisa favoreceu a redução da AM, o desenvolvimento criativo e cognitivo em matemática e a ressignificação das crenças dos estudantes sobre suas próprias capacidades na disciplina, em especial das mulheres.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1714408 - CLEYTON HERCULES GONTIJO
Externa ao Programa - 1782267 - REGINA DA SILVA PINA NEVES - UnBExterno à Instituição - JOÃO DOS SANTOS CARMO - UFSCAR
Externo à Instituição - MATEUS GIANNI FONSECA - IFB
Externa à Instituição - Raimunda de Oliveira - SEEDF
Notícia cadastrada em: 24/08/2026 11:10
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