Transtorno Opositor Desafiador: reflexões sobre inclusão escolar por meio de uma perspectiva winnicottiana
Transtorno Opositor Desafiador; Tendência Antissocial; Donald Winnicott; Medicalização da Infância; Inclusão Escolar
O aumento significativo do número de crianças diagnosticadas com transtornos comportamentais no contexto escolar tem produzido tensionamentos no campo educacional e clínico, especialmente no que se refere aos processos de nomeação, intervenção e inclusão. Entre esses diagnósticos, destaca-se o Transtorno Opositivo Desafiador, compreendido no campo psiquiátrico como um padrão persistente de comportamentos caracterizados por oposição, irritabilidade e desafio às figuras de autoridade, conforme descrito no DSM-5-TR. Esta pesquisa parte do pressuposto de que tais manifestações podem ser compreendidas para além da nosologia médica, aproximando-as do conceito de tendência antissocial formulado por Donald Winnicott, fenômeno relaciona do a experiências de deprivação emocional e falhas ambientais. O objetivo geral consiste em analisar como a ética winnicottiana e a compreensão da tendência antissocial podem oferecer subsídios para a prática pedagógica e para a ressignificação do olhar docente diante do aluno com diagnóstico de TOD. Metodologicamente, trata-se de uma investigação qualitativa de cunho exploratório, que articula um estudo de caso clínico-qualitativo longitudinal, conforme proposto por Robert K. Yin, com levantamento e análise de produções acadêmicas. O estudo acompanha, ao longo de diferentes temporalidades, o percurso escolar de um mesmo estudante diagnosticado com TOD, possibilitando analisar permanências e transformações nas formas de manejo institucional e pedagógico. O levantamento bibliográfico, realizado em bases como BDTD e Google Acadêmico (2015–2026), resultou em um corpus de 12 estudos, evidenciando a lacuna de pesquisas sobre a práxis docente no manejo do TOD sob a ótica da psicanálise. O estudo empírico foi realizado em uma escola da rede pública do Distrito Federal, utilizando observação participante, diário de bordo e entrevistas. No campo teórico, mobilizam-se as obras Privação e Delinquência e O Ambiente e os Processos de Maturação, tensionando os critérios do DSM-5-TR frente à ética do cuidado e ao papel da escola como ambiente suficientemente bom. Espera-se que os resultados contribuam para a despatologização da infância, oferecendo caminhos para que o professor atue como agente de acolhimento e integração subjetiva.