A AVALIAÇÃO POR PARES COMO PROCEDIMENTO PARA A AUTORREGULAÇÃO DAS APRENDIZAGENS EM MATEMÁTICA
Avaliação formativa em matemática; avaliação por pares em matemática; autorregulação das aprendizagens em matemática; aprendizagem matemática.
Considerando a importância de se diversificar as estratégias e os instrumentos avaliativos que podem ser utilizados no processo educacional, o objetivo da presente pesquisa é analisar a relação entre a avaliação por pares como estratégia de avaliação formativa no campo da matemática e o desenvolvimento de processos autorregulação das aprendizagens de estudantes de um curso de licenciatura em matemática. A pesquisa foi aplicada em uma turma de Geometria II do curso de Licenciatura em Matemática do IFB-Campus Estrutural. A avaliação por pares foi aplicada 4 vezes ao longo do 2o semestre de 2025. Em cada atividade de avaliação por pares foi realizado uma prova individual (escrita e sem consulta) relacionada a um conteúdo de Geometria que estava sendo trabalhado na época da aplicação da atividade, em seguida ocorreu a elaboração do padrão de resposta, correção pelos pares e feedback por escrito, sendo finalizado com um debate entre os pares. Ao final das atividades foi aplicado um formulário online, sendo respondido por 23 alunos. Além das avaliações por pares, foi também realizada uma roda de conversa com 8 alunos participantes da pesquisa. Os dados qualitativos foram analisados conforme análise de conteúdo proposto por Bardin. Também foram construídos alguns dados estatísticos, principalmente vindo das respostas das questões fechadas dos formulários aplicados, sendo analisados considerando uma análise descritiva, relacionando esses dados com os dados qualitativos coletados. Com relação à análise dos dados sobre as atividades de avaliação por pares que foram aplicadas, pode-se destacar os seguintes tópicos: desconforto ao avaliarem/serem avaliados, desafios sobre a correção das atividades individuais pelos pares, aprendizagem durante o processo de correção, debate entre os alunos sobre as tarefas das avaliações e os feedbacks dados, avaliação formativa, fornecer feedbacks e divisão dos pares e atribuição de notas. Além dessas temáticas, pode-se destacar a avaliação como aprendizagem, formação inicial docente e o estímulo ao pensamento crítico e criativo. Com relação ao processo de autorregulação relacionado a avaliação por pares, focou-se nas seguintes fases: Fase de desempenho (monitoramento durante a execução da atividade), Fase de autorreflexão (autoavaliação) e Fase de previsão (planejamento). As análises indicaram que durante a fase do desempenho pode-se perceber indícios de automonitoramento consciente no momento de resolução das atividades individuais durante as avaliações por pares. Questões como melhorar a organização das questões e refletir sobre o que estava fazendo no momento de resolução das questões foram pontuadas pelos alunos. Já a autoavaliação perpassou todo o processo da avaliação por pares, principalmente nos momentos de correção das atividades, elaboração do feedback e debate entre os pares, sendo um estímulo à reflexão constante de seu processo de aprendizado. A autoavaliação também influenciou nos momentos de monitoramento e no de planejamento. No momento de planejamento, a partir das reflexões proporcionadas pela avaliação por pares, os alunos tiveram ciência de possíveis lacunas de conhecimento e refletiram sobre o que poderiam fazer para melhorar seu aprendizado, sendo destacado por alguns sobre a necessidade de estudar mais e a tentativa da realização desse estudo. Foi destacado também que apesar de terem ciência da necessidade de ter ações que permitam reduzir a lacuna entre o que foi demonstrado e o desejado, nem sempre se refletia em uma alteração de comportamento dos alunos em ações práticas. Conclui-se, com a pesquisa, que a utilização da avaliação por pares no Ensino Superior favorece o processo de avaliação formativa na área de matemática, bem como o desenvolvimento de habilidades de autorregulação da aprendizagem dos estudantes, num ambiente colaborativo.