(Im)possibilidades da Educação Especial Inclusiva no ensino de Língua Inglesa e reflexos da subjetividade docente: entre vidros e estilhaços
Educação Especial Inclusiva; Ensino de Língua Inglesa; Subjetividade docente; Memória Educativa
A Educação Especial Inclusiva norteia as diretrizes e a organização da rede pública de ensino do Distrito Federal (DF), destacando-se, entre essas instituições, as escolas de natureza especial, como os Centros Interescolares de Línguas (CIL). Para além da análise conceitual e normativa da inclusão, aposta -se em um recorte centrado na subjetividade e na prática de professores de língua inglesa (LI). O estudo parte, portanto, do questionamento sobre o modo como as marcas subjetivas de professores de LI e seus posicionamentos em relação às diferenças (des)organizam a prática docente na Educação Especial Inclusiva. Para tanto, o objetivo geral foi investigar como as implicações subjetivas da prática docente, articuladas à memória educativa, atravessam a constituição do sujeito-professor no ensino de língua inglesa, no contexto da Educação Especial Inclusiva de um CIL. A investigação qualitativa, delineada por meio de um estudo de caso realizado em um CIL, situou-se na interface entre Psicanálise e Educação, em diálogo com a Linguística Aplicada. Os dados foram coletados por meio da análise do projeto político-pedagógico, de entrevistas individuais de orientação clínica realizadas com cinco professores de LI e da escrita da memória educativa. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo do tipo temática, estabelecendo-se três eixos: 1) O desejo e a aprendizagem de língua inglesa; 2) Marcas docentes e a escolha profissional; e 3) (Im)possibilidades da inclusão escolar e o ser-professor. Se, por um lado, os professores se referiram à inclusão como uma tarefa desafiadora, marcada pelo “não-saber”, por outro, demonstraram um posicionamento favorável à inclusão e buscaram elaborar os obstáculos pedagógicos por meio do apoio da equipe gestora, da troca entre pares, da adequação curricular e da proposição de atividades e recursos diversificados. O estudo revelou que o desejo de agir de modo semelhante ou diferente em relação às experiências estudantis positivas e negativas vivenciadas, bem como o desejo pela língua estrangeira, constituem possíveis marcas sinalizadoras da constituição subjetiva que atravessam o fazer pedagógico atual. Sugere-se que a oferta de um espaço de fala e de escrita possibilitou novas significações e (re)posicionamentos em relação à ação docente e a si mesmos, favorecendo que os professores sustentem os desafios, a descontinuidade e a incompletude que atravessam o ensino de inglês, a inclusão e a existência humana.