ENTRE HEGEMONIAS E RESISTÊNCIAS: SENTIDOS E PRÁTICAS DA INOVAÇÃO PEDAGÓGICA E EDUCACIONAL NAS ESCOLAS CLASSE DO DISTRITO FEDERAL
Inovação pedagógica; Inovação educacional; Tecnologias digitais; Neoliberalismo; Formação humana
O campo da inovação pedagógica e educacional tem ganhado destaque nos discursos educacionais diante da narrativa de mudanças necessárias nas redes de ensino diante do atendimento das novas demandas do mundo contemporâneo. Nesse cenário, observa-se um foco contundente da inovação vinculada às novas tecnologias digitais e às metodologias ativas de maneira reduzida e instrumentalizada. Tal perspectiva de inovação, apesar de não ser exclusiva, institui-se enquanto modelo dominante em atendimento à ordem neoliberal. O objetivo da pesquisa se volta a analisar como as Escolas Classe do Distrito Federal compreendem e desenvolvem a inovação pedagógica e educacional e em que medida essas concepções e práticas se aproximam e/ou se distanciam dos discursos contemporâneos dominantes sobre inovação na educação. Metodologicamente, a pesquisa está fundamentada na hermenêutica filosófica, tendo como instrumento de produção de dados a realização de um estado do conhecimento e a aplicação de um questionário às 305 Escolas Classe do Distrito Federal. Tem-se como referencial teórico Biesta (2013), Charlot (2020), Dardot e Laval (2016), Laval (2019) e Nussbaum (2015). Como principais resultados, compreende-se que o campo da inovação é carregado de diferentes sentidos. Logo, mesmo diante de sua lógica dominante, ainda há contraposições pela resistência das escolas, que entendem a inovação como possibilidade de melhoria do processo educativo de maneira humana e integral. Conclui-se que se destacam dois enfoques em inovar: um que a institui verticalmente, pautada pela regulação e padronização, reduzida aos aparatos tecnológicos; e outro que entende a inovação em perspectiva crítica e formativa, voltada à transformação e emancipação