Sistema de Avaliação de Desempenho de Rorschach (R-PAS) em Idosos: Correlações Cognitivas, Perfil de Resposta e Comparação entre Administração Remota e Presencial
Avaliação Psicológica Remota; R-PAS;
Idosos
O envelhecimento populacional no Brasil e no mundo aumenta a necessidade de compreender
como instrumentos psicológicos funcionam em adultos mais velhos, embora pesquisas nessa área ainda
sejam escassas. O Rorschach Performance Assessment System (R-PAS), amplamente utilizado para ava-
liar processos cognitivos e afetivos, carece de estudos específicos com idosos, cuja performance pode di-
ferir devido a mudanças cognitivas e perceptuais próprias da idade. Além disso, o avanço das avaliações
remotas, acelerado pela pandemia de COVID-19, levanta questões sobre sua viabilidade e equivalência
para esse público, especialmente em instrumentos complexos. Diante dessas lacunas, esta tese investiga:
(1) como variáveis do R-PAS se relacionam a funções cognitivas em idosos; (2) se adultos mais velhos
apresentam um perfil de respostas distinto de outras faixas etárias; e (3) se as administrações presencial e
remota do R-PAS produzem resultados equivalentes. Esses temas são desenvolvidos em três manuscritos
que compõem a estrutura da presente tese. O artigo 1, “Correlações cognitivas do R-PAS em idosos sau-
dáveis”, revela que algumas variáveis do R-PAS apresentam correlações significativas com funções cog-
nitivas — especialmente indicadores de complexidade, produtividade e qualidade perceptiva — suge-
rindo que o desempenho no R-PAS reflete, em parte, o funcionamento neurocognitivo típico do envelhe-
cimento. O Artigo 2, “Analisando os padrões de resposta do R-PAS em idosos de diferentes faixas etá-
rias”, demonstra que idosos exibem um perfil característico no R-PAS, marcado por menor produtividade e menor complexidade perceptual, mas sem prejuízo da coerência interpretativa, reforçando a importân-cia de considerar o envelhecimento como um fator normativo e não necessariamente patológico. O Ar-tigo 3, “O formato de administração importa? R-PAS remoto versus presencial em idosos”, mostra que não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre administrações remotas e presenci-ais em nenhuma das variáveis do R-PAS, com tamanhos de efeito pequenos e fidedignidade interavalia-dores elevada, indicando equivalência robusta entre os formatos e boa aceitabilidade entre os participan-tes. Essa tese contribui amplamente para a literatura do R-PAS, do envelhecimento e das práticas de ava-liação remota, com originalidade dos achados sobre equivalência total entre formatos em idosos. Toda-via, traz algumas limitações, como o tamanho amostral relativamente pequeno, o perfil selecionado dos participantes (idosos escolarizados e com acesso à tecnologia), o risco de viés de autoseleção e a ausência de medidas comportamentais finas. Futuras pesquisas devem investigar o tema mais a fundo, incluindo amostras mais heterogêneas, análises multimodais e aplicações clínicas mais complexas.