Práticas Integrativas na Universidade: Corpo, Meditação e Roda de Conversa
Práticas Integrativas; Bioenergética; Meditação; Estudantes Universitários; Promoção da Saúde Mental
O uso das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) ganhou visibilidade após a elaboração de um documento normativo por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2002. Atualmente são listadas no site do Ministério da Saúde 29 PICs, dentre elas Bioenergética e Meditação, focos do presente trabalho. O adoecimento mental universitário é o cenário de onde emerge a proposta de um programa focado no autocuidado e na saúde mental de estudantes, que, hoje, além de um anseio coletivo, é uma necessidade. Os estudos apontam o aumento do índice de suicídio na Universidade de Brasília e no Brasil nos últimos anos e a necessidade de atuações preventivas envolvendo jovens, professores, universidade e comunidade. A pesquisadora construiu uma "Jornada Integrativa de Autocuidado" com foco em práticas corporais, meditativas e rodas de conversa, que foi realizada com seis estudantes de graduação da Universidade de Brasília (UnB). Foram realizados 11 encontros de duas horas cada, uma vez por semana, no Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos (CAEP) da UnB no primeiro semestre de 2023. A pesquisa objetivou perceber o alcance da Jornada na promoção da saúde e bem-estar nas vidas dos universitários que participaram. O trabalho teve como fundamento a pesquisa qualitativa e o body mapping foi um dos instrumentos metodológicos. Enquanto metodologia de coleta de dados foram utilizados questionários no início e ao final, diário de bordo semanal e grupo focal ao final. Todos os encontros foram gravados e transcritos. A metodologia de análise dos dados foi feita à luz da Análise Temática, de Braun e Clarke. Os resultados obtidos sobre influências e transformações nas vidas dos universitários, após a participação na Jornada foram: desenvolvimento da consciência corporal, autorregulação emocional, ampliação do autoconhecimento por meio da autopercepção (mais facilidade em reconhecer as emoções e poder transformá-las), diminuição de ansiedade e estresse, mais foco na respiração e aumento de relaxamento, melhoria das relações interpessoais e habilidades sociais, aprendizado sobre limites e mais atenção no momento presente; fortalecimento da autoestima, autocompaixão e autoacolhimento; criação de uma rede de apoio entre os participantes, abertura para se expressar e conectar com o outro, sentimento de pertencimento; mais confiança para lidar com situações desafiadoras e interações sociais; incorporação de práticas sustentáveis de autocuidado (cuidado com o corpo, amor próprio, importância de pausa e descanso, olhar para si com mais carinho e respeitar os processos). Conclui-se que a Jornada Integrativa de Autocuidado demonstrou ser efetiva na promoção da saúde dos participantes, constituindo ferramentas valiosas para o enfrentamento dos desafios de saúde mental no contexto universitário brasileiro. A pesquisa aponta para a necessidade de implementação de práticas como essas nos programas de saúde das universidades, incluindo disciplinas obrigatórias de autocuidado em todos os cursos, alinhando-se aos princípios das Universidades Promotoras de Saúde e da formação integral dos estudantes.