“Nos faz falta um bom banho de realidade”: As idas-e-vindas do Conselho Federal de Psicologia em Álcool e Outras Drogas
Psicologia; Saúde Mental; Álcool e Outras Drogas; Prática em Psicologia; Psicologia Crítica; Marxismo; Antiproibicionismo; Antimanicomial; Brasil
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) tem, entre suas atribuições, o papel de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional no Brasil. Por meio do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP), o CFP construiu uma rede de pesquisa e produção de conhecimento materializada nas Referências Técnicas (RTs), que orientam a atuação da Psicologia nas políticas públicas. No campo das drogas, a relação entre Psicologia e essa “questão” esteve historicamente marcada por práticas proibicionistas, individualizantes e patologizantes, centradas na abstinência como meio e fim do “tratamento”. Essa lógica, que extrapola o campo psi, expressa-se nas relações sociais, históricas e políticas do modo de produção capitalista dependente brasileiro, tendo como um de seus aparatos de controle e violência as comunidades terapêuticas, espaços nos quais, contraditoriamente, psicólogas(os) atuam. Diante disso, o estudo analisa os posicionamentos do CFP, a partir das RTs, no que se refere às orientações para a atuação junto a pessoas que consomem drogas. Os resultados foram organizados em cinco eixos: 1) caracterização e contextualização das Referências Técnicas; 2) relação indivíduo x drogas; 3) o que cabe à Psicologia?; 4) o que cabe ao Conselho Federal de Psicologia?; e 5) redução de danos. Os achados indicam a coexistência de potencialidades, lacunas e desafios, expressos em descontextualizações, naturalizações e contradições que demandam ser explicitadas para que possam ser superadas ou mediadas, a fim de afirmar o CFP como aliado na construção de uma práxis práxis ético-política voltada ao fortalecimento dos indivíduos, ao combate à violência, preconceito e desigualdades e à transformação social em direção a um mundo onde possamos nos produzir de forma mais humanizada.