As formações do psicanalista e os impasses da regulamentação da psicanálise
formações dos psicanalistas; regulamentação da psicanálise; psicanálise no Brasil; transmissão; legitimação; espaço social
Esta tese investiga as formações dos psicanalistas e os impasses das tentativas de regulamentação da psicanálise no Brasil. Partiu-se da hipótese de que a especificidade da formação analítica tornaria a regulamentação incompatível com a psicanálise, uma vez que a formação do analista não se reduz a critérios curriculares, certificações formais ou modelos profissionais clássicos. Para examinar essa questão, realizou-se uma pesquisa com o método psicanalítico, organizada em duas etapas complementares: uma pesquisa bibliográfica de caráter teóricoconceitual, centrada na obra de Freud e no ensino de Lacan, e uma pesquisa de campo baseada em entrevistas abertas com seis psicanalistas brasileiros. A investigação permitiu reconstruir a emergência da questão da formação do analista, explicitar sua especificidade clínica, ética e política, e interrogar as tensões entre essa formação e as exigências contemporâneas de reconhecimento público. Ao longo do percurso, verificou-se que a hipótese inicial, embora pertinente, não esgotava o problema. As entrevistas evidenciaram que a regulamentação da psicanálise não pode ser compreendida apenas como ameaça externa ou ingerência estatal, mas também como índice de impasses internos do próprio campo, relativos à transmissão, à autorização, à legitimação e à inserção pública da prática analítica. Conclui-se que a singularidade da formação do analista impede sua simples redução à lógica da profissionalização estatal, mas que a ausência de regulamentação, por si só, não resolve os impasses produzidos pelas formas contemporâneas de circulação da psicanálise na universidade, nas instituições e no mercado. Desse modo, a regulamentação é abordada como sintoma das transformações culturais contemporâneas e como problema que convoca a psicanálise a responder por seu modo de existência pública no laço social