Impactos psicológicos da COVID-19 e processos de adaptação ao luto na população brasileira
COVID-19; perdas familiares; estresse; enfrentamento; resiliência; psicologia da saúde
A pandemia da COVID-19 provocou mudanças significativas na vida da população, com repercussões na saúde mental, na qualidade de vida e no luto associado às perdas vivenciadas. Esta dissertação teve como objetivo investigar os impactos psicológicos da pandemia no Brasil e analisar processos de adaptação ao luto em familiares enlutados no período pós-pandemia. O trabalho foi composto por dois estudos complementares. O primeiro consistiu em uma revisão sistemática da literatura que identificou impactos na saúde mental, piora na qualidade de vida e alterações na vida de pessoas com doenças crônicas associados a processos como estresse, enfrentamento, luto, resiliência, entre outros, decorrentes da crise sanitária. O estudo avaliou a necessidade de aprofundamento, a longo prazo, das temáticas analisadas, considerando os efeitos e o contexto da pandemia da COVID-19. O segundo estudo investigou níveis de estresse, estratégias de enfrentamento e resiliência em familiares enlutados pela COVID-19 no período pós-pandemia. Por meio de uma abordagem mista e transversal com 437 participantes, foram aplicados instrumentos e entrevistas sobre estresse, enfrentamento e resiliência. Os resultados indicaram nível moderado de estresse e coexistência de diferentes estratégias de enfrentamento. A resiliência associou-se negativamente ao estresse e a estratégias mais adaptativas de enfrentamento, com destaque para o suporte familiar. Observou-se convergência com os dados qualitativos, ampliando a compreensão das experiências vividas pelos participantes. Os achados contribuem para o delineamento de intervenções no luto por perda de entes próximos e/ou perdas múltiplas, como o vivenciado no contexto da pandemia de COVID-19.