Expressões literárias do pan-africanismo: personagens revolucionários e utopistas nas obras de Mbue, Miano e Kane
Literatura de língua francesa; Pan-africanismo; Literatura africana contemporânea
Este projeto de tese de doutorado visa estudar as expressões literárias do panafricanismo na literatura africana contemporânea a partir de um corpus de obras selecionadas, a saber: Rouge impératrice (2019), de Léonora Miano; Puissions-nous vivre longtemps (2021), de Imbolo Mbue; bem como a trilogia de Amadou Elimane Kane, composta por L’ami dont l’aventure n’est pas ambiguë (2013), Les soleils de nos libertés (2014) e Une si longue parole (2015). Para tanto, os três autores que constituem nosso corpus, embora portadores de trajetórias literárias distintas, evidenciam uma vontade comum de repensar a África a partir de seus próprios referenciais culturais e políticos. Cada um dos romances do corpus aborda temáticas recorrentes como o pan-africanismo, o papel da mulher africana na sociedade, a valorização das culturas e das heranças ancestrais, a problemática da imigração, bem como a ideia de um renascimento africano na era moderna. Na perspectiva de nossa problemática, as temáticas mencionadas no corpus não constituem apenas motivos narrativos recorrentes; todas elas participam da construção de personagens capazes de encarnar um projeto pan-africano fundado na transformação social e histórica do continente. Assim, o pan-africanismo aparece como o horizonte ideológico que estrutura o engajamento dos personagens revolucionários e utopistas encenados nessas obras. Ele fornece o quadro político e simbólico a partir do qual os autores imaginam uma África unificada, soberana e solidária, capaz de superar as fraturas herdadas da colonização. Além disso, a valorização das culturas e das heranças ancestrais desempenha um papel essencial nessa dinâmica de reinvenção. Ao reabilitar os saberes, as tradições e os imaginários africanos, os romances do corpus propõem uma alternativa aos modelos políticos e culturais impostos pela história colonial. Essa reapropriação cultural torna-se, então, uma condição de possibilidade do projeto pan-africano, pois permite aos personagens ancorar sua ação revolucionária em uma memória coletiva e em referenciais endógenos.