Clarice Lispector e os horizontes da metalepse moderna: um estudo sobre o Quixote, Tristram Shandy e A Paixão Segundo G.H
Clarice Lispector; Hermenêutica; Metalepse; Miguel de Cervantes; Laurence Sterne.
Este trabalho é um estudo sobre o Quixote (1605 – 15), de Miguel de Cervantes, A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy (1759 – 67), de Laurence Sterne, e A Paixão Segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector. Como
estudo comparativo, ele parte do fato de que os três romances em questão produzem fenômenos metalépticos em sua composição. A metalepse é definida pelo teórico francês Gérard Genette de maneira sumária em seu ensaio Discurso da Narrativa (1972), constituindo, resumidamente, uma transgressão entre os níveis da narrativa, da história e da narração. De acordo com o cervantista Anthony Close, o romance de Sterne se insere em uma tradição propriamente metaléptica que parte do Quixote. Assim sendo, pergunta-se, neste trabalho, se o texto de Lispector também não participaria de tal tradição. Para respondê la metodologicamente, utilizaram-se as contribuições da Teoria da Recepção e da hermenêutica — particularmente o conceito de projeto e de retroação, discutido por Hans Georg Gadamer —. Para a análise dos romances, utilizou-se a narratologia genetteana.