A persistência do legado africano: O Mundo se Despedaça, de Chinua Achebe, e Tenda dos Milagres, de Jorge Amado
legado africano; Chinua Achebe; Jorge Amado; formação e transculturação; modernidade periférica.
Este trabalho apresenta a persistência do legado africano em O mundo se despedaça, de Chinua Achebe, e em Tenda dos milagres, de Jorge Amado, colocando ambas as obras no horizonte da modernidade periférica. Através de uma abordagem literária relacional, baseada nos conceitos de formação e transculturação de Antonio Candido e Ángel Rama, o estudo explora como os autores mobilizam a memória cultural como instrumento de identidade e resistência. Em vez de uma comparação direta das influências, estabelece-se um diálogo sobre as respostas locais ao trauma colonial e à imposição eurocêntrica: enquanto Achebe reconstrói a historicidade da sociedade igbo no seu confronto com as estruturas britânicas, Amado mapeia os cruzamentos da herança africana, do candomblé e do catolicismo na cultura popular brasileira. Argumenta-se, portanto, que ambos os autores articulam uma resistência epistemológica, transformando o romance em um espaço de disputa política onde sistemas culturais afro-diaspóricos deixam a margem e assumem a centralidade da narrativa nacional.