A ESCRITA COMO INSUBORDINAÇÃO: representatividade e poder da mulher negra em Becos da Memória, de Conceição Evaristo.
Conceição Evaristo. Becos da Memória. Literatura Afro-Brasileira. Insubordinação.
Esta dissertação analisa a escrita de autoras negras como prática de insubordinação, representação e produção de conhecimento, tendo como corpus o romance Becos da Memória (2019), de Conceição Evaristo. A pesquisa parte da compreensão de que a literatura produzida por mulheres negras, especialmente a partir das contribuições de Sueli Carneiro (2005a; 2005b), bell hooks (1995; 2013), Nilma Lino Gomes (2017), Carolina Maria de Jesus (2014a; 2018), constitui um espaço de preservação da memória, enfrentamento ao racismo e ao sexismo, e construção de novas formas de representação. Desenvolvida por meio de abordagem qualitativa, fundamenta-se na análise literária, articulando o conceito de escrevivência à crítica feminista negra, aos estudos decoloniais e à pedagogia crítica. O estudo analisa a formação de Maria-Nova, a relação entre memória, oralidade e escrita, os saberes produzidos pelas mulheres da comunidade e a literatura de autoria negra no espaço escolar. Os resultados indicam que Becos da Memória transforma a escrita em prática de insubordinação, reafirmando a literatura como espaço de resistência, produção de conhecimento, formação humana e transformação social.