ORÍKÌ LITERÁRIO: UM NOME NÃO É SUFICIENTE. ESPIRALAR DA LITERATURA AFRO-BRASILEIRA: APAGAMENTO, RESISTÊNCIA E EXPANSÃO.
Literatura afro-brasileira; Oriki Literário; Escrevivência; Literatura-terreiro; Epistemologias negras; Resistência espiralar.
A literatura afro-brasileira constitui-se como uma prática estética, política e epistemológica de resistência frente às estruturas históricas que organizaram o campo literário brasileiro sob bases hegemonicamente brancas e eurocêntricas. Ao longo da história, autoras e autores negros produziram obras fundamentais para a formação cultural do país, embora suas produções tenham sido frequentemente silenciadas, marginalizadas ou enquadradas apenas como testemunho social. Partindo do diálogo com a teoria da literatura afro-brasileira formulada por Eduardo de Assis Duarte, esta pesquisa busca tensionar e ampliar essa formulação, considerando a pluralidade de experiências e tradições que atravessam a escrita negra no Brasil, incluindo produções vinculadas à literatura de terreiro, às cosmologias africanas e às múltiplas nomenclaturas que disputam a definição desse campo, como literatura afro-brasileira, negro-brasileira ou preto-brasileira. Mobilizando os aportes teóricos de Conceição Evaristo, especialmente o conceito de escrevivência, e dialogando com a perspectiva de encruzilhada literária proposta por Henrique Freitas, esta dissertação propõe compreender a literatura afro-brasileira como um campo em constante disputa epistemológica e simbólica. Parte-se da hipótese de que a relação entre apagamento estrutural e resistência literária não se organiza de forma linear, mas segundo um movimento espiralar, no qual exclusão, retorno, reinscrição e reinterpretação coexistem. A partir dessa perspectiva, propõese a noção espiralar da literatura afro-brasileira, denominada nesta pesquisa de Oriki literário, como um modelo teórico capaz de representar um fenômeno recorrente ainda pouco sistematizado pela crítica literária brasileira.