MARIA PADILHA: A POÉTICA DA BRUXARIA
Maria Padilha; Pombagira; Anne Sexton; bruxaria; escrita.
A presente dissertação analisa os discursos de duas bruxas, Maria Padilha e Anne Sexton, a partir do pensamento de Anne Carson e Hélène Cixous. Ao atravessar o discurso produzido por essas mulheres, proponho o conceito de “Poética da Bruxaria”, uma forma de linguagem pertencente a mulheres que despertaram a feitiçaria em suas vidas. Da bruxa europeia à bruxa brasileira, analiso a história do nome Maria Padilha, como ele chega ao Brasil por meio de duas mulheres condenadas ao exílio pela Inquisição e como esse nome adentra a ancestralidade feminina brasileira no culto às Pombagiras. Para a análise, registrei uma conversa com Maria Padilha das Almas para adentrar em seu discurso e descrever sua linguagem. Categorizei as similaridades que compõem a “Poética da Bruxaria”, as quais atravessam a escrita dessas mulheres e produzem uma outra organização subjetiva feminina. Essas bruxas são responsáveis por produzir essa subjetividade outra, que concede às mulheres uma possibilidade de vida capaz de desarticular a ordem patriarcal e permitir à mulher imaginar, inventar, criar a si mesma e, acima de tudo, ouvir as vozes de outras mulheres.