Agrominerais Silicáticos como Fontes de Potássio para Soja, Milho e Milheto em Condições de Campo e Casa de Vegetação
Pó de rocha; nutrição de plantas; adubação potássica; fontes regionais de nutrientes.
Aproximadamente 96% do fertilizante potássico consumido na agricultura brasileira é proveniente de importações. Em regiões tropicais, onde os solos são caracterizados pela baixa fertilidade natural, torna-se necessária a adoção de estratégias capazes de reduzir essa dependência. Nesse contexto, o uso de remineralizadores de solo tem se destacado como uma alternativa promissora para o desenvolvimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. O objetivo principal desta tese foi avaliar o potencial de agrominerais silicáticos como fontes alternativas de potássio para o cultivo sucessional de soja e milho em condições de campo e para o cultivo de milheto em casa de vegetação. A tese foi estruturada em três capítulos. No primeiro capítulo, foi realizado um cultivo sucessional de soja e milho em um Latossolo Vermelho. O experimento foi conduzido durante duas safras (2021/2022 e 2022/2023) na estação experimental da Assobase, localizada em Tangará da Serra - MT. As fontes de potássio utilizadas foram a nefelina sienito e, para fins de comparação, o KCl. Para ambas as fontes, foram aplicadas as doses de 70, 140 e 140 + 70 kg de K₂O ha⁻¹, com quatro repetições por tratamento. Houve incremento de 8% na produtividade da soja cultivada com nefelina sienito na dose de 140 kg de K₂O ha⁻¹, observado apenas na segunda safra. Também houve maiores rendimentos do milho (7%) após a aplicação adicional de potássio (140 + 70 kg de K₂O ha⁻¹), bem como aumento da disponibilidade de potássio no solo. O segundo capítulo foi desenvolvido na casa de vegetação da Embrapa Cerrados, onde foi conduzido o cultivo de milheto em um Neossolo Quartzarênico. As fontes de potássio utilizadas foram a nefelina sienito, o siltito glauconítico, o mica xisto, o KCl e um Blend (KCl + nefelina sienito). As doses aplicadas foram de 50 e 100 mg de K₂O dm⁻³, com quatro repetições. Para isso, foram instaladas quatro réplicas do experimento, sendo cada uma avaliada de forma destrutiva. As avaliações foram realizadas aos 20, 40, 60 e 70 dias após a semeadura (DAS). O KCl manteve-se como a fonte mais eficiente, promovendo os maiores valores de produção de matéria seca e de acúmulo de potássio pelas plantas em todas as épocas de avaliação. O Blend constituído por KCl e nefelina sienito destacou-se como a alternativa mais promissora para o cultivo do milheto, apresentando produção de matéria seca estatisticamente semelhante à obtida com o KCl. Entre as fontes exclusivamente silicáticas, o mica xisto e o siltito glauconítico apresentaram o melhor desempenho aos 70 DAS, promovendo incrementos de 54% e 30%, respectivamente, com a dose de 100 mg de K₂O dm⁻³, na produção de matéria seca. Além disso, verificou-se forte correlação positiva entre o teor de potássio disponível no solo e o acúmulo de potássio nas plantas de milheto. No terceiro capítulo, são discutidas as principais contribuições do estudo e as limitações dos métodos atualmente empregados para a recomendação de doses. Destaca-se que a quantificação do teor total de K₂O e sua estimativa por meio da extração com ácido tartárico não representam adequadamente o potencial de fornecimento de potássio dessas fontes, evidenciando a necessidade do desenvolvimento de novas metodologias que integrem informações químicas e mineralógicas.