INVALIDAR SABERES, INVISIBILIZAR DORES: A CONSTRUÇÃO DE UM DEBATE SOBRE A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA EM MULHERES CAMPONESAS DE RIACHO DOS CAVALOS, MONTE ALEGRE – PI
Violência obstétrica. Mulheres Camponesas. Saberes Camponeses.
A violência obstétrica configura-se como uma grave violação dos direitos humanos e um desafio persistente no campo da saúde reprodutiva no Brasil. No entanto, as experiências de mulheres de grupos socialmente vulnerabilizados, como as populações rurais, permanecem insuficientemente assistidas. Nesse sentido, a presente pesquisa teve como objetivo principal analisar a violência obstétrica enfrentada por mulheres camponesas residentes na Comunidade Riacho dos Cavalos, município de Monte Alegre do Piauí. Utilizando uma metodologia de abordagem qualitativa e exploratória, o estudo se propôs documentar as experiências subjetivas e narrativas dessas mulheres. O trabalho de campo, realizado em junho de 2024, consistiu na coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas, permitindo a captação de suas vivências e percepções sobre os ciclos que envolvem o parto. A análise temática das entrevistas, permitiu a categorização dos achados e a identificação de um fenômeno complexo e multifacetado, ancorado em contextos socioculturais específicos. Os resultados revelam a persistência de diversas formas de violência institucional, incluindo negligência, omissão de informações e práticas desumanizadas durante o parto. Mais do que um problema pontual, a pesquisa aponta que a violência obstétrica não é um problema isolado, mas sim um reflexo e uma manifestação direta de estruturas de poder enraizadas a análise demonstra como a colonialidade do saber, o machismo, o racismo, o patriarcado e a medicalização excessiva e desnecessária do parto interagem, aumentando dramaticamente a vulnerabilidade das mulheres camponesas a essa forma de violência de gênero. Em suma, este estudo contribui significativamente para a literatura ao trazer à tona a voz de um grupo historicamente silenciado e ao fornecer evidências robustas de que a violência obstétrica é uma questão que exige uma abordagem que vá além da biomedicina. Proponha-se a adoção urgente de políticas públicas de saúde sensíveis ao contexto rural, que combatam as desigualdades estruturais e promovam um parto respeitoso e humanizado.