COMIDA DE ONTEM, COMIDA DE HOJE: A CULTURA ALIMENTAR SERTANEJA FRENTE AO SISTEMA AGROALIMENTAR GLOBAL NA PERSPECTIVA DE MULHERES DE BOA VIAGEM/CE
Cultura alimentar, sistemas agroalimentares, mulheres, sertão cearense soberania alimentar.
O projeto pretende analisar as permanências e transformações na cultura alimentar sertaneja de Boa Viagem/CE frente ao sistema agroalimentar global tomando as mulheres como eixo central de observação. Parte-se do entendimento de que a cultura alimentar é expressão complexa da vida social, atravessada por práticas, símbolos, saberes e valores historicamente construídos. Comer é um ato político, e pode expressar, entre outras coisas, autonomia, dependência, cuidado, abandono, festa ou exclusão. Em contraponto, o sistema agroalimentar global tem produzido homogeneização das dietas, erosão de saberes locais e reconfiguração das relações entre produção e consumo de alimentos. No município de Boa Viagem, inserido no semiárido cearense e marcado por forte identidade sertaneja, a pesquisa pretende analisar o papel das mulheres na manutenção da cultura alimentar, bem como suas percepções sobre as mudanças ocorridas na alimentação cotidiana nas últimas décadas. Apesar da desigualdade no acesso à terra e a maior vulnerabilidade a insegurança alimentar, as mulheres têm papel central como guardiãs de sementes, de receitas, de práticas culinárias e de cuidado fundamentais para construção da soberania alimentar. Dessa maneira, o objetivo geral desta pesquisa é analisar a cultura alimentar da zona rural de Boa Viagem/CE a partir das práticas de mulheres sertanejas e suas percepções sobre as mudanças alimentares na região. Para isso, pretende-se adotar a abordagem qualitativa, de caráter exploratório e explicativo, com uso de observação participante e entrevistas semiestruturadas. O referencial teórico articula autores da cultura alimentar (Montanari 2008, Carneiro 2005), dos sistemas agroalimentares (Abramovay e Favareto, 2025), da soberania alimentar (La Via Campesina, 1996) e do feminismo rural (Paulilo, 2016). Espera-se sistematizar práticas, símbolos, permanências e mudanças da cultura alimentar sertaneja e produzir subsídios para políticas públicas de cultura alimentar e de seguridade alimentar territorializadas, com ênfase em iniciativas como o PNAE e políticas estaduais do Ceará.