Projeto Pedagógico do Curso

O curso de Licenciatura em Música pretende formar o professor-músico e pesquisador de sua prática. Nessa perspectiva, espera-se que o professor apresente o seguinte perfil:
 profissional ativo, independente, criativo e reflexivo;
 profissional que tenha conhecimentos musicais e pedagógicos para fazer com maturidade suas escolhas e justificá-las.
 profissional que tenha competência para investigar e compreender sua prática docente para transformá-la;
 profissional capaz de trocar e comunicar suas experiências e saberes, bem como interagir com a comunidade e seus pares;
O egresso do curso deverá apresentar competência como músico o que envolve a aquisição e a mobilização de conhecimentos e habilidades musicais como: 1) domínio instrumental ou vocal como solista, como acompanhador e como participante em grupos musicais; 2) domínio “idiomático” em diferentes gêneros e estilos musicais; 3) compreensão musical, histórica, social e estética da música; 4) domínio e compreensão dos materiais sonoros e de sua organização formal e expressiva em diferentes obras e estilos musicais; 5) domínio de diferentes habilidades do “fazer musical” relacionadas com a composição, arranjo, improvisação, apreciação e execução.

A competência como músico se relaciona com o desenvolvimento da ação pedagógico-musical, pois as habilidades musicais devem estar relacionadas e direcionadas para os objetivos, procedimentos e avaliações do processo de ensino e aprendizagem da música. Espera-se que o professor de música possa compreender os materiais e conceitos musicais para ensinar para isso é importante desenvolver a compreensão pedagógica dos conteúdos musicais e, saber adequá-los ou transformá-los de acordo com seus objetivos educacionais. Nesse sentido são relevantes a aquisição e mobilização de conhecimentos e habilidades pedagógico-musicais como: 1) domínio do conhecimento pedagógico do conteúdo a ser ensinado; 2) domínio e apreciação crítica sobre técnicas e métodos de ensino e aprendizagem da música; 3) conhecimento sobre a legislação educacional e sua implicação no currículo das escolas; 4) conhecimento sobre o campo da educação musical e seus princípios pedagógicos; 5) conhecimento sobre o aprendiz, em diferentes faixas etárias, níveis de ensino e de aprendizagem (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos, Ensino Especial, Educação Inclusiva)
O trabalho docente cotidiano deve ser acompanhado de uma reflexão. Assim as competências como músico e professor devem ser complementadas pela competência de pesquisador. O futuro professor de música deve desenvolver habilidades que o capacitem para investigar sua própria prática, o que implica o desenvolvimento de habilidades relacionadas com:

1) conhecimento e domínio de métodos e técnicas de pesquisa;

2) compreensão e análise de temas e pesquisas relacionadas com a Educação Musical;

3) Desenvolvimento do senso crítico e da reflexão sobre a prática;

4) Domínio da redação científica, suas normas e formatos.

Espera-se assim, formar um profissional competente capaz de mobilizar seus recursos cognitivos de acordo com as diferentes situações do trabalho docente em Música.

No que se refere aos procedimentos metodológicos no curso de Licenciatura em Música – Diurno e Noturno, os processos de como ensinar-aprender, acompanhar e avaliar estão relacionados às particularidades de cada componente curricular. É importante destacar que o curso apresenta componente curriculares bem diversificadas como: componentes curriculares teóricos do fazer musical, do conhecimento sobre música; do conhecimento científico em música; do conhecimento pedagógico-musical e da performance musical; bem como, componente curriculares da tradição pedagógica e psicopedagógica e de conhecimentos sobre educação. Somam-se a esses conteúdos, componente curriculares de natureza teórico acadêmicas. Sendo assim, os procedimentos metodológicos para o ensino e aprendizagem musical e para o aprender a ensinar são diversificados e podem envolver metodologias: 1) Expositivas e interativas sob uma perspectiva dialógica e reflexiva; 2) Problematizadoras, que analisam e discutem os problemas da prática docente em música para podem elaborar estratégias de ensino e aprendizagem que deverão ser observadas em diferentes situações pedagógicas; 3) Reflexão sobre a ação, que partem da prática, para pensar a prática e retornar a prática; 4) Comunidades de prática que envolvem a aprendizagem coletiva e situada em que todos são mestres e aprendizes; 5) Vídeo estimulação em que prevalece a auto-observação e reflexão orientada; Os processos metodológicos podem ser desenvolvidos em diferentes formatos como seminários, aulas expositivas, rodas de conversa, apresentações orais, práticas de conjunto, ambiente virtual de aprendizagem, vídeo aulas, e outras possibilidades como redes sociais e canais no Youtube. No curso são discutidos e socializados em Reuniões Pedagógicas que ocorrem quinzenalmente e envolvem todos os professores dos cursos de Licenciatura em Música – Diurno, Noturno e a Distância.

Quanto ao processo de autoavaliação dos cursos, a Comissão Própria de Avaliação (CPA/UnB) tem realizado programas e propostas avaliativas que revelam o perfil do curso, suas fragilidades e pontos críticos, os quais são discutidos com a unidade e analisados para redirecionamento e qualificação do curso. Os dados gerados pela CPA são apresentados em seminários específicos realizados pela própria UnB, em que a direção, chefia, coordenação e NDE são convidados a participar. Além do trabalho da CPA, o Conselho do IdA tem promovido reuniões ampliadas do conselho e fóruns de graduação entre as coordenações do instituto para avaliação dos cursos, detectando suas necessidades e socializando soluções encontradas. Esse tipo de ação tem gerado a possibilidade de avaliar individualmente cada curso e de trocar experiências de sucesso. No âmbito específico do curso de Licenciatura em Música, a autoavaliação tem sido realizada também pelo NDE juntamente com o grupo de professores do curso de Licenciatura e em Seminários de Educação Musical, que possibilitam dialogar com os alunos e discutir diferentes assuntos relativos ao curso de licenciatura, seus princípios, proposta formativa, pontos fracos e fortes. Esses seminários têm ocorrido na Semana Universitária que acontece no segundo semestre de cada ano letivo na Universidade de Brasília com o título de Seminários de Prática de Ensino e Aprendizagem Musical - SPEAM. O NDE reconhece a importância dos seminários e fóruns de graduação para ampliar suas atividades de avalição e, efetivamente, desenvolver uma prática de avaliação sistemática considerando a formação docente, musical e de pesquisa dos discentes, bem como seu desenvolvimento profissional após a graduação.

Avaliação in loco e renovação de reconhecimento do curso

O curso de Licenciatura em Música – Diurno recebeu visita in loco do INEP entre os dias 24 e 27 de setembro de 2014, com visita in-loco de comissão formada pelos avaliadores Luciênio de Macedo Teixeira (coordenador da comissão) e Daniel Garcia Flores. O Relatório apresentado pela comissão avaliadora observou 3 dimensões: 1) Organização Didático-Pedagógica; 2) Corpo Docente e Tutorial e 3) Infraestrutura. Segundo Relatório de Avaliação (Anexo A – Relatório Reconhecimento de Curso), o curso recebeu conceito final 3, sendo observada as seguintes pontuações para cada dimensão avaliada: na primeira dimensão, tivemos 16 itens avaliados e obtivemos o conceito 3,9; na segunda dimensão, foram 12 itens avaliados e o conceito atingido foi 3,2 e na terceira dimensão, 7 itens foram avaliados e o conceito obtido foi 2,7. O Núcleo Docente Estruturante do curso, NDE, apresentou recurso apontando equívocos e inconsistências no parecer da avaliação (Anexo B – Impugnação do Relatório de Avaliação) o que gerou a anulação do relatório apresentado pelos avaliadores (Anexo C - anulação parecer da avaliação curso Licenciatura em Música – Diurno. No recurso, o NDE do curso destacou pontos a serem reconsiderados na avaliação como: 1) o curso encontrava-se em seu terceiro nível quando foi avaliado, sendo seu primeiro semestre de ingresso 2013/2. Esse fato causou estranheza porque, conforme informações do Decanato de Graduação da UnB, os cursos são avaliados, geralmente, a partir de seu 5º nível; 2) na Síntese de Ação Preliminar à Avaliação, o Projeto Pedagógico do Curso - PPC disponível no sistema e-mec para a comissão avaliadora não representava o curso de Licenciatura em Música – Diurno, mas o Projeto de PPC do curso Bacharelado. O recurso informou à avaliação que no preenchimento do e-mec foi solicitado que fosse preenchido os dados do curso de Bacharelado em Música e não do curso de Licenciatura em Música, cujo PPC estava em fase inicial de implementação (3º nível). Essa situação gerou uma inconsistência na análise do PPC do curso de Licenciatura em Música. Este, como foi esclarecido pelo recurso, que explicava: [...] [o curso] foi criado através da Port. Nº 064745, de 30 de janeiro de 1969, reconhecido pelo Decreto Nº 77.345, de 29 de março de 1976, sendo desativado por ocasião da implantação dos cursos de Licenciatura em Educação Artística segundo a Lei 5692 de 1971. Em 15 de outubro de 2012, segundo Resolução do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão - CEPE nº 209/2012 foi aprovado o PPC do curso de Licenciatura em Música, quando foi reativado o curso e proposta a sua reforma e atualização curricular [...]. Com a aprovação do PPC da Licenciatura em Música - Diurno foi desativado o curso de Licenciatura em Educação Artística – Música, extinto pela LDBEN 9394/96. No âmbito do MUS/UnB foram mantidos o número de vagas do antigo curso, 16 vagas semestrais, para o curso de Licenciatura em Música – Diurno (ANEXO C, p. 1). O recurso apresentou, também, argumentos que questionavam as notas atribuídas às três dimensões avaliadas conforme Anexo C. Em 2017, foi realizada nova análise, pela parecerista Marinice Oliveira de Azeredo Coutinho. em que foram retificados os conceitos atribuídos às três dimensões avaliadas: Dimensão 1 (4.6) - Dimensão 2 (4.8) - Dimensão 3 (3.1). Assim, o conceito final foi "4". O parecer final (Anexo D – Parecer Final) se manifestou favorável à renovação de Reconhecimento do Curso com 32 vagas totais anuais conforme documento disponível em Anexo E. O documento apontou recomendações: - O cumprimento de diretrizes curriculares nacionais, quando existentes para o curso, incluindo carga horária mínima exigida; - o atendimento à legislação específica sobre tempo de integralização mínimo exigido para o curso; - o atendimento à legislação específica sobre obrigatoriedades de estágio, TCC e atividades complementares, quando pertinentes. - o atendimento às Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana (Resolução CNE/CP N° 01 de 17 de junho de 2004); - a manutenção de todo o corpo docente com, no mínimo, titulação de pósgraduação lato sensu; - a manutenção da componente curricular LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) na estrutura curricular, nos termos do Decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005; - a manutenção das condições de acesso para pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida (Dec. 5.296, de 2 de dezembro de 2004); - o atendimento às Políticas de Educação Ambiental (Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 e Decreto Nº 4.281 de 25 de junho de 2002); - a divulgação de informações acadêmicas sobre o curso (Portaria Normativa N° 40 de 12/12/2007, alterada pela Portaria Normativa MEC N° 23 de 01/12/2010, publicada em 29/12/2010) (ANEXO D, p.1-2) As recomendações destacadas estão sendo observadas neste documento, conforme legislação pertinente.

Avaliação ENADE e ações decorrentes do processo de avaliação do curso

O processo de autoavaliação do curso de Licenciatura em Música – Diurno está integrado às ações avaliativas dos cursos de Licenciatura do MUS, Noturno e a Distância. Os três cursos de licenciatura do MUS são geridos pelo mesmo NDE, contudo cada curso tem um Coordenador de Curso específico, membro nato do NDE (ver Apêndice G). Sendo assim, o NDE tem realizado uma análise transversal dos cursos no sentido de identificar as fragilidades de cada um, suas especificidades e as possibilidades de aprimoramento. Entendemos que os três cursos, preservadas suas especificidades, têm uma unidade e uma organicidade que deve possibilitar o trânsito entre eles e preservar a identidade da licenciatura em música da UnB. As avaliações externas realizadas pela CPA-UnB têm apontado variações que nos permite refletir sobre o currículo e o desenvolvimento dos discentes em cada curso. No caso do curso Diurno é importante destacar o perfil do aluno que, em relação com o curso Noturno, e mais jovem e apresenta um maior número de discentes do sexo feminino. De modo geral, apesar de registrar vagas remanescentes, o curso de Licenciatura Diurno preenche uma maior quantidade de vagas, em torno de 80% a 90%. É importante considerar que o curso de Licenciatura Diurno oferta 10 vagas a menos (16 vagas por semestre) que o curso Noturno (26 vagas por semestre). Em 2017, os cursos de Licenciatura em Música foram 3 dos 59 cursos da UnB avaliados pelo ENADE. Os resultados são apontados no quadro 18. Observa-se que o curso Diurno ou Integral obteve nota 4 no Enade, nota 3 no Conceito Preliminar de Curso – CPC e nota 2 no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado - IDD. Esse resultado indica que o curso não tem ampliado o desempenho dos estudantes quando comparada a nota do ENEM com a nota do ENADE dos estudantes que realizaram a avaliação, observa-se, de fato, uma pequena redução. No quadro 18 são apresentados os resultados da avaliação dos cursos de Licenciatura de Música no ano de 2017. O Conceito de Curso – CC se baseia na nota ENADE. A avaliação in loco realizada no curso de Licenciatura em Música – turno Diurno (ou integral) foi anulada uma vez que os dados apresentados no EMEC não correspondiam à situação real do curso. Durante a avaliação, observamos que a avaliação do curso de Licenciatura em Música estava utilizando os dados do curso de bacharelado. No caso do curso Diurno, 18 alunos participaram do ENADE, sendo que 23 se inscreveram para a prova. No Distrito Federal foram 85 inscritos e 70 participantes, sendo que a Região Centro Oeste registrou 245 inscritos e 152 participantes. No âmbito do DF, o curso de Licenciatura em Música – Diurno representou 27,06% de inscritos e 25,71% dos participantes. A nota final do ENADE depende de duas avaliações: Componente de Formação Geral - FG (10 questões) e Componente de Conhecimento Específico – CE (30 questões). O conceito ENADE é obtido por meio de uma fórmula que considera a média ponderada das notas padronizadas do curso de graduação em FG e CE, sendo 25% o peso da Formação Geral e 75% o peso do Componente Específico da nota final. As notas padronizadas são obtidas por cálculos que consideram o afastamento padrão do curso e o afastamento padrão mínimo e máximo da área No quadro 19, observamos o conceito ENADE atribuído aos cursos de Licenciatura em Música da UnB, sendo apresentadas a nota bruta e a nota padronizada (1 a 5) de cada curso. O curso de Licenciatura em Música – Diurno obteve Conceito ENADE igual a 4. O Relatório de Curso demonstra que o desempenho dos estudantes concluintes do curso de Licenciatura em Música – Diurno no Componente Formação Geral foi de 46,7, valor 0,9 pontos abaixo da média da Unidade Federativa (UF) que ficou em 47,6; contudo, valor 0,3 pontos acima da média da Grande Região, 46,4 e, 1,8 pontos menor que a média do Brasil, igual a 48,5. Vale destacar que a mediana do curso, 52,0 pontos, ficou superior à mediana da UF (51,2), da Região (47,7) e do país (49,5). Com relação ao Componente Conhecimento Específico a média do curso, igual a 51,4, foi maior que a média da UF, 42,4; Grande Região, 42,8 e Brasil, 43,3. Segundo o Relatório de Curso, a concentração de notas na FG do curso teve sua maior variação entre as notas de 30 a 60 com um total de 27,8% nesses valores, sendo menor que a mesma variação para UF, mas superior ao mesmo resultado para Região e Brasil. No componente CE a concentração de notas do curso variou de 40 a 60 com total 27,8% nesses valores, acima da mesma variação para UF, Região e Brasil. Na FG, o curso obteve 22,2% de notas entre 70 e 80 e 0,0% na variação entre 80-100. Quanto à FE, o curso obteve 5,6% de notas entre 70-80 e 80-90 e 0,0% o intervalo de 90-100 (ver Relatório ENADE, 2017). Quanto à percepção dos estudantes sobre a avaliação, é interessante observar que a maioria dos estudantes considerou o nível de dificuldade da prova mediano, sendo que 64,7% consideraram a avaliação da Formação Geral (FG) mediana e 76,5 % consideraram a prova de Componente Específico (CE) de dificuldade média. Na FG, 0,0% dos estudantes consideraram a prova muito difícil quanto fácil; enquanto na prova de CE, 0.0% de estudantes consideraram as questões muito fáceis ou muito difícil: 5,9% responderam que as questões de CE foram fáceis e 17, 6% responderam que foram difíceis. Quanto à duração da prova, 58,8% consideraram a duração adequada, 5,9% informaram que a acharam muito longa e 35,3% a acharam longa. A maioria dos participantes, 60%, respondeu que o tempo gasto para concluir a prova foi entre duas e três horas, contudo, 26,7% gastaram entre três e quatro horas. Cerca de 52,9% dos estudantes responderam que a maioria das questões do componente FG estava clara e objetiva, mas 47,1% afirmaram que todos os enunciados estavam claros e objetivos. Com relação aos enunciados do CE, 70,6% dos participantes consideraram claros e objetivos todos os enunciados das questões e 23,5 % informaram que a maioria dos enunciados estavam claros e objetivos. Esses resultados revelam uma maior familiaridade dos estudantes do curso de Licenciatura em Música – Diurno com os itens da categoria CE. Entretanto, é importante considerar que no item dificuldade para responder à prova, forma diferente de abordagem do conteúdo são menores, e um valor muito menor com relação à opção falta de motivação para fazer a prova. Isso indica que há uma motivação maior entre os participantes de outras IES. Cerca de 5,9% responderam não tive qualquer tipo de dificuldade para responder a prova, resultado também inferior à média brasileira que ficou em 12,4%. Chama ainda atenção o fato de 68,8% dos estudantes responderem que estudou e aprendeu muitos desses conteúdos, enquanto 12,5%, dos participantes responderam que não estudou ainda a maioria desses conteúdos; 6,2% afirmaram que estudou alguns desses conteúdos, mas não os aprendeu e estudou e 0,0% alegaram que aprendeu todos esses conteúdos. Os resultados demonstram a necessidade de identificar as dificuldades apontadas pelos alunos, bem como, os conteúdos que consideram não ter aprendido no curso. A análise das questões da prova demonstra que os conteúdos são abordados nos componente curriculares do curso, contudo chama atenção o fato das questões de música abordarem de forma majoritária a música da cultura ocidental, especialmente, músicas orquestrais e de coro. O perfil do estudante do curso Diurno tem se transformado para incluir outras manifestações musicais, inclusive a música popular. Nesse sentido, a prova privilegia um conteúdo musical específico em detrimento de outros. Quanto ao perfil do estudante de Licenciatura em Música – Diurno, o questionário do ENADE revela que dentre os participantes, 47,1% de declaram brancos; 29,4% pardos e17,6% pretos. Por outro lado, 5,9% dos concluintes não quiseram declarar raça. Dentre os concluintes, nenhum estudante se declarou da raça amarela ou indígena. Esses resultados têm uma certa equivalência com os resultados do país que apresenta 45,3% de concluintes brancos, 34,1% pardos e 12,1% pretos. O perfil econômico revela que 17,6% informaram possuir tanto uma renda familiar de até 1,5 salário-mínimo (até R$ 1405,50) quanto uma renda familiar de 1,5 a 3 saláriosmínimos (R$ 1405,50 a R$ 2811,00), estes valores são inferiores à média nacional que é de 20,1 % e 28,5% respectivamente. Dentre os estudantes, 41,2% declararam ter uma renda familiar de 10 a 30 salários-mínimos (R$ 9.370,01 a R$ 28.110,00), valor acima da média nacional que é de 5,3%. 5,9% dos concluintes declararam ter uma renda familiar acima de 30 salários-mínimos (mais de R$ 28.110,00). É interessante destacar que 5,9% dos estudantes assinalaram a opção não tenho renda e meus gastos são financiados por programas governamentais. A maior percentagem de estudantes, 41,2%, informaram que têm renda e recebem também ajuda da família e de outras pessoas para financiar seus gastos com os estudos. Por outro lado, 23,5% dos estudantes responderam, igualmente: não tenho renda e meus gastos são financiados pela minha família ou por outras pessoas e tenho renda e contribuo com o sustento familiar. 5,9% dos estudantes informaram que são o principal responsável pelo sustento da família, valor abaixo da média nacional que é de 12,1%. Quanto à escolarização dos pais, cabe notar que 41,2%, a maioria, responderam que o pai concluiu o Ensino Médio e 35,3% que a mãe conclui o Ensino Médio, percentagens superiores à média nacional que correspondem, respectivamente, a 31,7% e a 34%. É interessante observar que o nível de escolaridade das mães no Ensino Superior é um pouco superior ao dos pais, pois 35,3% concluintes responderam que seu pai concluiu a graduação e 47,1 dos concluintes declararam que sua mãe concluiu a graduação. No Brasil, esses valores correspondem, respectivamente à 14,4% para o pai e 15,6% para as mães. A mães dos alunos do curso de Licenciatura em Música – Diurno têm um índice considerável de escolaridade comparados com os valores da média nacional. Na pós-graduação 5,9% dos respondentes afirmaram que tanto seu pai quanto sua mãe têm pós-graduação contra uma média nacional que aponta 5,2% para pais e 8,4% para mães. É relevante observar, ainda, que o discente do curso de Licenciatura em Música – Diurno, em sua maioria, 64,7%, não foi admitido por meio de políticas de ação afirmativas ou inclusão social. Contudo, 11,8% declararam, afirmativamente, que seu ingresso foi por critério étnico racial. Os dados do MUS/UnB, curso Licenciatura em Música - diurno, são inferiores à média nacional que aponta que 78,7% não ingressaram por políticas afirmativas e de inclusão social. No entanto, 2,4% dos concluintes informam ter ingressado por critério étnico racial, valor inferior aos dados do curso de Licenciatura em Música – UnB (esses dados podem ser observados no Anexo F). Com relação ao tipo de escola frequentado no Ensino Médio, 58,8% informaram que que cursaram todo o ensino médio em escola pública e 35,3% todo em escola privada. Quando comparados com a média nacional, 69,5% de estudantes realizaram a escolaridade todo em escola pública, e 19,8% todo em escola privada. Os dados gerados pela percepção do estudante sobre recursos físicos e pedagógicos, como também, sobre a qualidade do ensino, foram analisados de acordo com a concordância do estudante com as assertivas propostas. As respostas variavam de uma escala de 6 (concordo totalmente) a 1 (discordo totalmente). Nessa parte do questionário foram realizadas 10 assertivas: 1) os componentes curriculares cursados contribuíram para a sua formação integral, como cidadão e profissional; 2) o curso contribuiu para o desenvolvimento da sua consciência ética para o exercício profissional; 3) os planos de ensino apresentados pelos professores contribuíram para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e para seus estudos; 4) o curso favoreceu a articulação do conhecimento teórico com atividades práticas; 5) os professores demonstram domínio dos conteúdos abordados nas componente curriculares; 6) o curso disponibilizou monitores ou tutores para auxiliar os estudantes; 7) as condições de infraestrutura das salas de aula foram adequadas; 8) os equipamentos e materiais disponíveis para as aulas práticas foram adequadas para a quantidade de estudantes; 9) os ambientes e equipamentos destinados às aulas práticas foram adequadas ao curso; 10) a biblioteca dispôs das referências bibliográficas que os estudantes necessitaram. Nesses itens há uma diferença significativa entre os dados do curso e do Brasil. Aos itens 1, 2 3 e 4 correspondem, respectivamente, as questões Q27, Q31, Q38 e Q47. As respostas ao item 1 indicam que 23,5% concordam totalmente, 11,8% concordam e 29,4% concordam parcialmente que os componentes curriculares contribuíram para sua formação integral (como cidadão e profissional); contudo, no Brasil, esses valores apresentam 54,1% dos participantes concordam totalmente com a assertiva, 26,3 concordam e 13,1 concordam parcialmente. O curso apresenta 17,6% de alunos que discordam parcialmente e discordam, enquanto a média nacional aponta para 4,3% e 1,2%, respectivamente, para essas respostas. Quanto ao item 2, consciência ética, a média nacional predomina na resposta concordo totalmente (60,5%), enquanto as respostas dos estudantes do curso predominam em concordo parcialmente (31,2%). Contudo, 25% concordam totalmente e 18,8% concordam. 18,8% dos estudantes ainda responderam que discordam parcialmente sobre a formação ética no curso; resposta que na média nacional corresponde a 1,7%. Quanto aos planos de ensino, item 3, apenas 6,2% concordam totalmente, 12,5% concordam e 37,2% concordam parcialmente que eles contribuem para o desenvolvimento das atividades acadêmicas, mas 25% discordam parcialmente e 18,8% discordam totalmente. Esses valores se diferenciam da média nacional, em que 42,2 concordam totalmente e apenas 1,8% discordam totalmente. A articulação teoria e prática, item 4, é destacada de forma favorável por 64,6% dos estudantes (29.4% concordam totalmente, 17,6% concordam e 17,6% concordam parcialmente), sendo que dos 35,3% que discordam (5,9% discordam parcialmente e 11,8% discordam e 17,6 discordam totalmente). Com relação aos dados no Brasil, 50% concordam totalmente e 1,9% discordam totalmente que o seu curso favorece a integração teoria e prática. Com relação ao desempenho e apoio docente, itens 5 (Q57) e 6 (Q60), respectivamente 64,7% dos estudantes do curso (23,5% concordam totalmente, 29,4% concordam e 11,8% concordam parcialmente) afirmam afirmativamente sobre o domínio de conteúdos pelos docentes, mas 35,3% discordam de alguma forma (29,4% discordam parcialmente e 5,9% discordam, 0,0% discordam totalmente). Quanto ao apoio de monitores, 82,3% confirmam esse suporte (17,6% concordam totalmente, 35,3% concordam e 29,4 % concordam parcialmente). Com relação à média nacional 93,9% afirmam que aprovam o domínio do conteúdo pelos docentes (54,5% concordam totalmente, 28,4% concordam e 11,0% concordam parcialmente) e 78% confirmam o apoio de monitores (43,2% concordam totalmente,). A infraestrutura, salas de aula e equipamentos, é analisada nos itens 7 (Q61), 8 (Q62), 9 (Q63) e 10 (Q64). Os resultados do item 7 apontam que 17,6% consideram a infraestrutura das salas de aula adequada (17,6% concordam parcialmente, 0% concordam e 0% concordam totalmente), no entanto, chama atenção o fato de que 82,4% (11,8% discordam parcialmente, 35,3 discordam e 35,3 % discordam totalmente) apresentem discordância com relação ao item 7. No Brasil, 70,4% dos estudantes consideram a infraestrutura adequada (33,3% concordam totalmente, 20% concordam e 17,1% concordam parcialmente), e, na Região Centro Oeste, 55,5% também apresentam alguma forma de concordância (17,1 concordam totalmente, 19,2% concordam e 19,2% concordam parcialmente). A discordância no Brasil é da ordem de 29,7% e, na Região Centro Oeste representa 44,6%. No que se refere aos equipamentos, item 8, os resultados demonstram que 37,5% dos estudantes do curso (6,2% concordam totalmente, 12,5% concordam e 18,8% concordam parcialmente) consideram que os equipamentos para atividades práticas foram adequados, enquanto, no Brasil, 73% dos respondentes apontam algum tipo de aprovação e, na Região Centro Oeste, são 62,1% de respostas concordantes. As respostas para a adequação dos equipamentos às atividades práticas ao curso, item 9, apresentam baixa concordância como ocorre nos itens 7 e 8: 37,5% dos estudantes do curso (6,2% concordam totalmente, 12,5% concordam e 18,8% concordam parcialmente) responderam afirmativamente; contudo, os dados do Brasil e da Região Centro Oeste equivalem, respectivamente, a 73,1% e a 62,1% de concordância. A discordância do curso ao item 9 ou Q63 é alta, em torno de 70,5% (17,6% discordam parcialmente, 17,6% discordam e 35,3 discordam totalmente). Por fim, o último item, 10 ou Q64, informa a percepção dos estudantes sobre as referências bibliográficas disponíveis na Biblioteca, 84,7% consideram que essas referências atenderam as suas necessidades (30,8% concordam totalmente, 38,5% concordam e 15,4% concordam parcialmente). Esse item apresenta concordância com a percepção dos estudantes concluintes no Brasil e na Região Centro Oeste, respectivamente, 84,4% e 74,6%. A discordância ao item no curso ficou em 15,4%, sendo que 7,7% discordam parcialmente, 7,7% discordam e 0,0% discordaram totalmente. Os dados gerados pelo Relatório do ENADE revelam resultados já verificados por pesquisas desenvolvidas por pesquisadores, professores e alunos, do Departamento de Música (AZEVEDO et al, 2015). As pesquisas realizadas internamente informam que o ingresso é realizado predominantemente pelo sistema universal (92,07%), sendo que, na época da pesquisa, 3,96% tinham ingressado por cotas raciais. Esses números apresentam proximidade com os dados gerados pelo ENADE que informa que 95% dos estudantes de música ingressaram pelo sistema universal e 11,8% pelas cotas étnico-raciais. Nesse sentido, houve um aumento da ação afirmativa em 7,84 pontos percentuais. É possível inferir que, para o curso de música, as cotas afirmativas não são, ainda, determinantes do perfil do estudante do curso. Como o curso tem apresentado vagas remanescentes de ingresso, é importante avaliar que perfil de estudantes não estamos atingindo ainda. A prática docente e os dados apontam que o curso ainda não contempla estudantes de comunidades indígenas e quilombolas e um público que se dedica às práticas musicais intuitivas e da cultura popular. No que se refere à renda econômica, a pesquisa interna revela que os alunos do MUS desenvolvem atividade laboral durante o curso sendo que a atuação como professor particular de música predomina (56,90% de 70 respondentes dos cursos de licenciatura) seguida da atuação como músico instrumentista de eventos (55,17 %). Dentre os componentes curriculares relevantes para o curso, em respostas abertas no questionário, os alunos apontam: práticas musicais (50,49%), pedagógicas (33,66%), linguagem e estruturação musical (31,68%), História da Música (17,82%). O estágio curricular obrigatórios aparece em 5,94% das respostas e a componente curricular de Desenvolvimento Psicológico e Ensino (DPE) com 4,95%. Isso explica, parcialmente, o desempenho dos estudantes no componente Conhecimento Específico (CE) do ENADE. Contudo, os componentes curriculares de prática musical não são avaliados no exame. A prova do ENADE, também, aponta predominância de conteúdos musicais da tradição da cultura erudita ocidental, e não privilegia o perfil de músicos populares. Diante da avaliação interna e externo, o curso de Licenciatura em Música – Diurno, Noturno e a Distância destacam como ações de qualificação da formação docente em andamento e, ações a serem desenvolvidas nos anos subsequentes os seguintes pontos: 1) Quanto ao ingresso no curso: para ingressar no curso de Licenciatura em Música – Diurno, o NDE, o Grupo de Educação Musical (GEM) e o próprio Colegiado do Mus têm apresentado algumas proposições: a) maior divulgação da prova de Habilidade Específica (HE) nas mídias sociais e outros canais; isso porque, muitas vezes, a HE é agendada sem prazo para divulgação, o que dificulta a inscrição de muitos interessados. Outro fator é o desconhecimento do público-alvo sobre a prova e seu conteúdo. Apesar do Edital explicitar o conteúdo da avaliação e o CEBRASPE divulgar as provas de anos anteriores, é importante ampliar e facilitar o acesso à essas informações; b) revisão dos conteúdos programáticos da HE. Essa revisão demanda uma discussão do Colegiado de Curso para ampliar o público alvo, principalmente, para músicos, autodidatas e estudantes de música, que ainda não estão sendo contemplados pela HE vigente; c) realização de seminários sobre a HE para identificar problemas e apontar soluções; d) realização de cursos preparatórios por meio de cursos de extensão ministrados por professores e alunos de licenciatura e bacharelado visando atingir o público que tem dificuldade de fazer aulas de música em escolas privadas ou na Escola de Música de Brasília. Destaca-se ainda o trabalho realizada na Mostra de Cursos, evento regular que ocorre todos os anos na Semana Universitária visando divulgar os cursos da UnB para os alunos do Ensino Médio do Distrito Federal, sua forma de ingresso, permanência e componentes curriculares. 2) Quanto aos programas de componentes curriculares: as ementas e os programas de componente curriculares têm sido objeto de debate pelo NDE, Grupo de Educação Musical e Colegiado de Curso. Dentre as iniciativas para melhor adequar os programas de componentes curriculares à realidade educacional vigente estão: a) revisão de ementas e conteúdo programático; b) inserção de componentes curriculares relacionadas com tecnologia musical e conteúdos musicais direcionados a Educação Básica e BNCC. Destaca-se nesse quesito a criação de componentes curricular Laboratório de Música e Tecnologia; Arranjo e Criação para o Ensino e Aprendizagem da Música, bem como a obrigatoriedade de matrícula em componentes curriculares de prática de ensino coletivo de instrumento: Instrumento Suplementar Canto Popular, Instrumento Suplementar Percussão e Instrumento Suplementar Harmônico (violão ou piano ou piano popular); c) criação de componentes curriculares Formação e Inserção Profissional visando informar e orientar a trajetória do estudante no curso, bem como, discutir a formação docente em música e seu compromisso ético, humano e social; d) ampliação de componentes curriculares de formação humana e básica na relação de componentes curriculares optativos com destaque para recomendação de integralizar pelo menos 60 horas e incentivo a participação em projetos de extensão e atividades complementares. 3) Quanto à retenção e à evasão: tanto a retenção quanto a evasão têm sido destaque nas avaliações internas da CPA. Nesse sentido, esperamos que a reforma curricular possa auxiliar a reduzir tanto o índice de retenção quanto de evasão, para isso estão sendo propostas as seguintes alterações: a) criação do componente curricular de Formação e Inserção Profissional 1 visando melhor orientar os estudantes em sua trajetória, bem como apresentar e criar vínculo entre o estudante e seu professor orientador no curso; b) a componente curricular de Trabalho de Conclusão de Curso, responsável por grande retenção no curso foi modificada. Neste novo documento, o aluno poderá escolher entre o trabalho acadêmico ou o recital de formatura para integralizar carga horária como TCC. Além disso, a defesa do TCC (defesa de trabalho acadêmico ou recital) deverá ser realizada em componente curricular específico quando o professor orientador autorizar a defesa do estudante. Assim, a componente curricular TCC poderá ser conclusiva no nível e o estudante deverá se matricula na Defesa de TCC quando estiver pronto para defender; d) melhor distribuição dos componentes curriculares no fluxograma e aumento da carga horária por nível para que o aluno possa ter maior flexibilidade para gerir sua carga horária; e) alteração de modalidades de componentes curriculares, de obrigatórias para obrigatórias seletivas, para evitar retenção e agilizar o fluxo como por exemplo Prática de Conjunto 1, 2 e 3 e Canto Coral. 4) Quanto à infraestrutura: no que se refere ao espaço físico, o Departamento de Música tem priorizado melhorias e compra de equipamentos: a) redimensionamento da rede elétrica para ampliar a capacidade para melhor climatização das salas de aula e iluminação do espaço público; b) impermeabilização do teto e tratamento de infiltrações; c) restauração de cadeiras do auditório e das salas de aula; d) compra de equipamentos para as práticas musicais individuais e coletivas como pianos digitais e amplificadores de som. O Departamento de Música tem comissões específicas para discutir e elaborar propostas para o espaço físico, para o orçamento anual, para compra e manutenção de equipamentos e para estruturação e funcionamento de orquestras e grupos musicais coletivos. 5) Quanto às referências bibliográficas: a UnB disponibiliza Edital anual para compra de material bibliográfico para os cursos. A BCE também tem ampliado a sua rede de Base de Dados que inclui a Minha Biblioteca e Base de Dados Pearson com exemplares de várias editoras brasileiras em e-book. Como ação para qualificar o curso, o NDE juntamente com o GEM e o Colegiado de Curso têm empenhado esforços para: a) atualizar a bibliografia dos cursos inclusive com a compra de novos exemplares; b) divulgar entre os alunos o acesso às Bases de Dados da BCE, o que deve ser estimulado também no componente curricular Formação e Inserção Profissional.

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