O efeito de framing e a utilização de nudges em contexto organizacional: a diferenciação entre cenários financeiros e não financeiros
framing; nudges; julgamento e decisão organizacional
Esta Tese de Doutorado investiga como o efeito de framing e a utilização de nudges influenciam a tomada de decisão em contextos organizacionais, comparando sistematicamente cenários financeiros (com valores monetários) e não financeiros (ganhos sociais/gestão). O trabalho articula quatro estudos complementares: (1) revisão sistemática (2003–2023) nas bases Web of Science, Scopus e SciELO sobre nudges e framing em organizações, evidenciando a escassez de comparações diretas entre contextos financeiros e não financeiros; (2) intervenção com e-mails automatizados para estimular acesso e atualização de currículos corporativos, que aumentou em 84% os cadastramentos e reduziu o tempo médio entre atualizações de 753 para 416 dias; (3) adaptação, validação de conteúdo e replicação de quatro cenários clássicos de heurísticas/vieses (representatividade/aleatoriedade, enquadramento em perdas, Paradoxo de Allais e enquadramento estreito) para contexto organizacional, com altas métricas psicométricas e replicações robustas; (4) quase-experimento comparativo cruzandoframing × contexto (financeiro vs. não financeiro) × tipo de nudge (simples/composto), com análises não paramétricas e TRI (Rasch) para estimar dificuldade. Os achados mostram que (a) o framing apresenta o maior impacto global sobre o padrão decisório; (b) o contexto financeiro tem efeito pequeno, porém estável, elevando a dificuldade dos itens; (c) os nudges têm efeitos contingentes à dificuldade: nudges compostos ajudam sobretudo em tarefas de dificuldade média, enquanto em tarefas muito fáceis ou muito difíceis seus efeitos são reduzidos. A Tese contribui teórica e metodologicamente ao integrar framing–contexto–nudge–dificuldade num único arcabouço explicativo e ao demonstrar, em campo, que intervenções de baixo custo e alta escalabilidade podem mobilizar comportamentos desejáveis preservando a autonomia decisória. Implicações práticas incluem diretrizes de projeto para fluxos decisórios, catálogos corporativos de nudges e uso da TRI para calibrar intervenções.