Em busca de ordem: Desigualdade Econômica, Anomia e Autoritarismo como Preditores de Crenças Conspiratórias
Crenças Conspiratórias; Anomia; Desigualdade Econômica; Autoritarismo
As crenças em teorias da conspiração aparecem em diferentes culturas e podem influenciar comportamentos coletivos, chegando até a ameaçar a estabilidade democrática, especialmente em momentos de polarização e incerteza. No Brasil, um país marcado por altos níveis de desigualdade econômica, essas crenças se misturam de forma complexa com fatores sociais e psicológicos. Porém, existem poucos estudos realizados no contexto sul-americano, o que dificulta entender como a desigualdade se relaciona com esses fatores. Diante desse cenário, a dissertação investigou como representações de desigualdade econômica, anomia, autoritarismo e crenças conspiratórias se relacionam. No Estudo 1, foi feita a adaptação e verificação das evidências de validade da Perception of Anomie Scale (PAS) para o contexto brasileiro. A escala apresentou bons indicadores psicométricos e manteve estrutura unifatorial. Além disso, confirmou-se que quanto maior a percepção de anomia, maior a adesão a teorias conspiratórias gerais. No Estudo 2, analisou-se o papel mediador da anomia e o papel moderador do autoritarismo em um modelo estrutural. A anomia apareceu como um fator relacionado a menor adesão a teorias conspiratórias ideológicas específicas (tanto de direita quanto de esquerda). Verificou-se também que a desigualdade econômica previu diretamente apenas as conspirações alinhadas à esquerda, e que o autoritarismo exerceu efeitos distintos conforme a afinidade ideológica. Assim, o modelo testado evidencia que, no Brasil, a combinação entre desigualdade naturalizada e baixa confiança institucional produz padrões de mediação e moderação diferentes dos previstos pela literatura internacional, ressaltando a necessidade de compreender crenças conspiratórias a partir de seus contextos sociopolíticos específicos.