Habitar o Público, Viver o Privado: Uma Análise da Apropriação e Pertencimento em Imóveis Funcionais
habitação funcional; apropriação; pertencimento; apego ao lugar; qualidade de vida; Psicologia Ambiental; Avaliação Pós-Ocupação
Por meio desta dissertação, investigou-se a experiência de habitar imóveis funcionais da Universidade de Brasília (UnB) sob a perspectiva da Psicologia Ambiental. O estudo busca compreender como moradores da Superquadra 206 Norte (SQN 206) vivenciam apropriação, pertencimento, apego ao lugar e qualidade de vida em um contexto institucional. A pesquisa adota abordagem qualitativa inspirada na Avaliação Pós-Ocupação (APO) e fundamentada em autores como Altman, Low, Elali, Günther, Villa e Ornstein. Foram realizadas 17 entrevistas, além de registros fotográficos, diário de campo, entrevistas walkalong e análise documental; dentre essas 17 entrevistas, 14 compõem o corpus analisado neste trabalho. A análise de conteúdo (Bardin, 2016), auxiliada pelo Atlas.ti 2025, resultou em sete categorias e 27 subcategorias. Os resultados mostram que a apropriação espacial funciona como exercício de autonomia e mediação simbólica frente às restrições institucionais, enquanto a gestão influencia diretamente percepções de bem-estar, cuidado e reconhecimento. As relações de vizinhança fortalecem pertencimento e apego ao lugar, sustentados por memórias afetivas e práticas comunitárias nos pilotis e jardins. O tempo de moradia e comparações com residências anteriores moldam a satisfação residencial e o desejo de permanência, revelando tensões entre estabilidade e transitoriedade. Além disso, elementos visuais como fotografias, plantas e redes de codificação contribuem para evidenciar a dimensão espacial e simbólica do habitar. Conclui-se que morar nos imóveis funcionais da UnB constitui uma experiência ecológica e relacional, marcada pelo entrelaçamento de dimensões materiais, sociais e simbólicas na construção do sentido de lar e da qualidade de vida. O estudo reforça a relevância de articular Psicologia Ambiental e APO para aprimorar práticas habitacionais institucionais.