Assédio moral no trabalho, recursos psicossociais e intenção de abandono
Assédio moral; Capital psicológico; Capital social; Intenção de abandono; Trabalho
O assédio moral no trabalho (AM) é um risco psicossocial marcado por exposição repetida a atos negativos que, ao longo do tempo, deterioram dignidade, saúde e vínculos laborais, frequentemente em contextos de assimetria de poder e baixa possibilidade de defesa. Esta dissertação reúne dois artigos que investigam mecanismos psicossociais de risco e proteção associados ao AM, focalizando o papel do capital psicológico e do capital social, bem como a relação do AM com a intenção de abandono institucional. No primeiro artigo, testou-se um modelo em que capital social e capital psicológico predizem AM e avaliou-se se o capital psicológico explica parte do efeito do capital social sobre o desfecho. Os resultados indicaram que o capital psicológico apresentou associação direta mais consistente com menor AM, e que o capital social tende a operar de forma mais distal, sobretudo quando se converte em recursos psicológicos mobilizáveis. No segundo artigo, examinou-se a associação entre AM e intenção de abandono institucional, testando-se a mediação pelas dimensões do capital psicológico. Os achados sustentaram que o AM se associa a maior intenção de abandono e que esse vínculo é parcialmente explicado pela redução de recursos psicológicos, com destaque para mecanismos orientados ao futuro. Em conjunto, os resultados reforçam a necessidade de intervenções multinível: prevenção e resposta institucionais ao AM como eixo central, acompanhadas de estratégias complementares de fortalecimento de recursos psicossociais, sem culpabilização individual.