Preditores da Síndrome de Burnout em professores da Educação Básica do Distrito Federal
Síndrome de Burnout; Professor; Trabalho-Família;
A Síndrome de Burnout em professores tem sido amplamente reconhecida como um fenômeno multifatorial, resultante da interação entre características individuais, condições de trabalho e demandas extraorganizacionais. O objetivo do presente estudo foi identificar preditores sociodemográficos, laborais e familiares das dimensões da Síndrome de Burnout em uma amostra não probabilística de 279 professores. Como instrumentos, utilizaram-se um questionário de dados sociodemográficos, laborais e familiares, o Cuestionario para la Evaluación del Síndrome de Quemarse por el Trabajo e duas subescalas de trabalho emocional (demanda e dissonância). Os resultados, analisados por meio de regressão múltipla, indicaram como preditores da dimensão ilusão pelo trabalho as variáveis: interferência negativa trabalho–família, interferência positiva trabalho–família, situação conjugal e sexo. Para o desgaste psíquico, identificaram-se como preditores a interferência negativa e positiva trabalho–família e a carga horária semanal. A dimensão indolência foi predita pela interferência negativa do trabalho na família e da família no trabalho, bem como pelo sexo feminino e pela remuneração. Por fim, a dimensão culpa apresentou como preditores a interferência negativa do trabalho na família e da família no trabalho e a remuneração. Em conjunto, esses achados evidenciam a relevância das interações entre trabalho e família, bem como de características sociodemográficas e laborais, na compreensão do burnout docente, reforçando a necessidade de intervenções organizacionais e políticas institucionais sensíveis a esses múltiplos determinantes.