Vivências Escolares de Travestis e Mulheres Transexuais Negras Atendidas pelo CREAS da Diversidade
escola; travestis e mulheres transexuais negras; violação de direitos; proteção social; políticas públicas de educação e assistência social
Esta pesquisa irá investigar as vivências escolares de travestis e mulheres transexuais negras, atrizes sociais que enfrentam múltiplas opressões decorrentes do entrecruzamento do racismo, sexismo e transfobia. A análise parte do legado das lutas antirracistas e feministas negras que revelam as violências vivenciadas ao longo da história, assim como suas lutas por emancipação. A escola representa um espaço ambivalente no qual reproduz práticas excludentes, marcadas por dispositivos que hierarquizam saberes e experiências, mas ao mesmo tempo é um espaço potencialmente produtor de emancipação e promoção de direitos para o reconhecimento da cidadania. Apesar dos avanços em políticas públicas e debates acadêmicos, muitas vezes relevantes e efetivos, ainda são insuficientes no combate ao preconceito e a violência, sustentando a marginalização histórica de identidades dissidentes das normas cisheteronormativas e brancas. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) da Diversidade, equipamento público voltado para atendimento de violações motivadas por orientação sexual, identidade de gênero, discriminação racial e étnica, tem como objetivo promover a garantia de direitos à população que apresenta expressão de gênero e raça distinta das normas vigentes. Neste cenário, a política pública intersetorial entre Educação e Assistência Social tem atuação ampliada ao não dicotomizar o ser humano e contribuir para o fortalecimento de famílias e indivíduos, bem como todo conjunto escolar. Esta atuação ampliada pode criar redes de apoio para população que sofre múltiplas violências, resultado de um projeto político, econômico e racial de apagamento. A presente pesquisa propõe-se a analisar as percepções de travestis e mulheres transexuais negras atendidas pelo CREAS da Diversidade acerca de suas vivências escolares em instituições públicas do Distrito Federal. A pesquisa irá realizar o levantamento de dados por meio de planilhas institucionais, análise documental, entrevista narrativa e oficina para acessar dados autobiográficos das participantes. Para a discussão, pretende-se articular os temas de direitos humanos, políticas públicas de educação, gênero, classe e raça em sua interseccionalidade, educação crítica e emancipatória e políticas públicas intersetoriais.