EU PRECISAVA FALAR SOBRE ISSO”: Um estudo sobre a permanência de estudantes negros e negras na UnB
Permanência Estudantil; Universidade de Brasília; Assistência Estudantil; Ações Afirmativas; Interseccionalidade.
Em que medida os desafios da permanência de estudantes negros e negras na graduação da UnB singularizam suas trajetórias na universidade?” é a pergunta constituída para elaboração dessa tese, com objetivo geral de compreender como a trajetória de estudantes negras e negros da UnB impactam nas suas permanências. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem de método misto, denominada “costura metodológica”, articulando procedimentos quantitativos e qualitativos de maneira complementar. Foram utilizados dados produzidos por meio de survey e de nove entrevistas compreensivas realizadas com estudantes negros e negras da universidade, respeitando os protocolos de ética em pesquisa. A análise quantitativa fundamentou-se na estatística descritiva, enquanto os dados qualitativos foram interpretados a partir das trajetórias estudantis sob abordagem interseccional. A tese está organizada em quatro capítulos além da introdução e considerações finais. O primeiro que discute o estado da arte da permanência estudantil na universidade, articulando movimento negro, políticas de ações afirmativas e políticas de assistência estudantil. O segundo que apresenta os caminhos teórico-metodológicos da pesquisa, mobilizando a interseccionalidade como ferramenta analítica no método misto. O terceiro que analisa os dados quantitativos produzidos pelo survey, construindo indicadores relacionados à permanência simbólica e à intenção de abandono e o quarto capítulo que aprofunda qualitativamente as trajetórias estudantis, evidenciando experiências, percepções e estratégias de resistência e pertencimento mobilizadas pelos sujeitos da pesquisa. Como considerações finais, a pesquisa demonstra que a permanência de estudantes negros e negras na Universidade de Brasília não pode ser compreendida apenas a partir de condições materiais. Os resultados compreendem a existência de trajetórias de permanência, na qual fatores materiais e simbólicos se articulam de forma inseparável. Aspectos relacionados ao pertencimento, à afirmação racial, às relações com docentes e colegas, ao enfrentamento do racismo institucional aparecem como centrais para compreender os desafios de permanecer na universidade, sendo elaborados indicadores para compreender essa dinâmica. A pesquisa conclui que políticas públicas voltadas à permanência estudantil precisam ampliar sua abordagem a partir de políticas combinadas que promovam reconhecimento, escuta, bem-estar e fortalecimento das experiências de estudantes negros e negras na UnB