SAPATÃO SE CASA NO SEGUNDO ENCONTRO?
Vivências lésbicas de rompimento de vínculo familiar e construção de novas possibilidades de família
Lesbofobia; rompimento de vínculo; rearranjo familiar; interseccionalidade; casamento; famílias escolhidas
Esta tese tem como propósito compreender como mulheres que se relacionam com mulheres, ao vivenciarem o rompimento de vínculos familiares motivado pela lesbofobia, constroem novas formas de organização afetiva e rearranjos familiares. A pesquisa investiga de que maneira essas mulheres reelaboram seus laços diante da ausência de afeto, estímulo e apoio provenientes da família nuclear, considerando a presença de opressões e violências estruturadas em seus núcleos originários. A partir de relatos de história de vida, busca-se identificar estratégias de enfrentamento ao preconceito e aos modos pelos quais essas experiências produzem novos arranjos familiares; se estes são dissidentes do modelo hegemônico-tradicional ou buscam, de alguma forma, reproduzir o ideal dessa família originária. Além disso, analisa-se como outras opressões interseccionam tais vivências, acentuando vulnerabilidades, mas também fortalecendo resistências. Por fim, a tese examina a forma como o casamento ou união estável entre mulheres lésbicas se constitui como espaço de subsistência emocional, econômica e afetiva, assumindo relevância central na reconstrução de vínculos e no fortalecimento de redes de apoio. Os resultados contribuem para o campo dos estudos de gênero e sexualidade ao iluminar as dimensões afetivas e políticas da vida de mulheres lésbicas, evidenciando a potência de seus arranjos familiares como práticas de resistência e reinvenção diante da violência lesbofóbica.