O DESMATAMENTO NO CERRADO E OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS EM TERRITÓRIOS TRADICIONAIS DE
FUNDO E FECHO DE PASTO – UM ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE CORRENTINA – BAHIA
Desmatamento; Comunidades Tradicionais; Conflitos fundiário e ambiental
A expansão da fronteira agrícola no Cerrado ocorreu seguindo o modelo da modernização
conservadora, passando para a economia do agronegócio e a financeirização da agricultura. As modificações
do espaço pela tecnificação da agricultura no Cerrado se materializam pelo desmatamento e degradação
ambiental, o que tem aumentado o número de conflitos no campo. Este é o bioma brasileiro com as maiores
taxas de desmatamento, onde a região do Matopiba e considerada a nova fronteira de expansão do
agronegócio. Sua criação teve como justificativa o “vazio econômico e demográfico” da região,
desconsiderando todos os territórios tradicionalmente ocupados pelos povos e comunidades tradicionais que
vivem na região. Dentre a diversidade de povos e comunidades tradicionais que ocupam o Cerrado,
destacamos as comunidades de fundo e fecho de pasto. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar o
processo de expansão da fronteira agrícola no Cerrado brasileiro e os impactos socioambientais decorrentes
do desmatamento vivenciados pelas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto no município de
Correntina – BA. Como método, utilizou-se o processo de formação dos territórios de fundo e fecho de pasto
do Oeste Baiano, no contexto das lutas que emergem contra o modelo agrário em áreas de fronteira, lugar de
disputa de diferentes modos de vida. Partindo de uma perspectiva histórica da legislação fundiária e ambiental e do uso de programe e políticas que favoreceram a ocupação do Cerrado pelo agronegócio, discute-se o uso
do bioma como zona de sacrifício para perpetuação do agronegócio. O estudo de caso apresenta as
singularidades dos territórios de fundo e fecho de pasto mapeados. Esses representam quase um quarto da
extensão do município e, até o ano de 2000, eram responsáveis por apenas 1% do desmatamento registrado
no município. A partir da flexibilização de normas ambientais, essa porcentagem subiu para 9%. Estas
comunidades possuem um histórico de luta para manter sua forma tradicional de vida frente a invasão de seus
territórios pela expansão da fronteira agrícola. Os principais conflitos da região ocorrem devido a grilagem de
terras e as alterações ambientais decorrentes do desmatamento das áreas griladas e vendidas as grandes
empresas do agronegócio. A redução da disponibilidade hídrica na região tem sido apontada como o principal
impacto ambiental decorrente do desmatamento de áreas de vegetação nativa e, embora seja uma
reinvindicação antiga das comunidades tradicionais do município de Correntina, continua presente nos relatos
de diversas comunidades.