Espacialidade Étnico-Racial: A financeirização do território na Região Metropolitana de Belém
Espacialidade étnico-racial, território, financeirização, Região Metropolitana de Belém.
A tese intitulada “Espacialidade Étnico-Racial: a Financeirização do Território na Região Metropolitana de
Belém”. A pesquisa parte da premissa de que as desigualdades socioespaciais presentes na Região Metropolitana de
Belém (RMB) não podem ser explicadas apenas por uma perspectiva econômica, mas também deve levar em
consideração processos seculares de exclusão racial. Nesse contexto, a tese objetiva analisar a espacialidade étnico-
racial contemporânea da RMB a partir das incidências territoriais do processo de financeirização e os objetivos
específicos buscam discutir os fundamentos conceituais da espacialidade étnico-racial e das incidências territoriais da
financeirização ; compreender a constituição histórico-geográfica da espacialidade étnico-racial em Belém, no
contexto da diáspora africana para a Amazônia; identificar padrões de organização racial do território urbano a partir
de dados censitários dos censos do IBGE e Examinar a espacialidade étnico-racial contemporânea da RMB no contexto
do processo de financeirização, identificando agentes, usos do território e formas de mediação institucional. A
hipótese central corrobora que a espacialidade étnico-racial contemporânea da RMB constitui uma base histórico-
geográfica sobre a qual os processos de financeirização se territorializam de forma seletiva, reforçando padrões de
exclusão e vulnerabilidade das populações de matriz africana e indígena. Além disso, considera-se que o Estado atua
como agente mediador dessas transformações por meio de políticas urbanas, investimentos em infraestrutura e
instrumentos normativos. Metodologicamente, a pesquisa combina revisão bibliográfica, análise documental,
cartografia étnica, dados censitários do IBGE (1872–2022), base internacional Slave Voyage, dados econômicos através
da plataforma Econodata, análise iconográfica, trabalho de campo e uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG).
A tese está estruturada em cinco capítulos. O primeiro apresenta o método , a metodologia e discute o fundamentos
conceituais da espacialidade étnico-racial e da financeirização do território; o segundo analisa a diáspora africana e a
formação da espacialidade étnico-racial em Belém; o terceiro examina a organização racial do território urbano a partir
da formação socioespacial da cidade ; o quarto constitui o núcleo analítico da pesquisa, investigando os processos
contemporâneos de financeirização e seus impactos territoriais, incluindo a realização da COP 30 como vetor de
reestruturação metropolitana; e o quinto apresenta as principais recomendações da pesquisa. Ao articular a
desigualdade socioespacial com os processos de financeirização, a pesquisa pretende contribuir para o debate
geográfico contemporâneo sobre a racialização espaço urbano brasileiro, conferindo centralidade às populações
historicamente marginalizadas diante do contexto das transformações territoriais em curso na RMB