TEM CERRADO E POVOS INDÍGENAS NAQUELE LUGAR: DO AVANÇO DA FRONTEIRA
AGRÍCOLA MATOPIBA À TERRITORIALIDADE E RESISTÊNCIA NO SUDOESTE DO PIAUÍ
Agronegócio; Disputas Territoriais; Indígenas de Laranjeiras; Visibilidades.
O Território Indígena – TI de Laranjeiras constitui-se como um espaço geográfico delimitado,
permeado por memórias históricas, um lugar de construção cultural e ancestral, ambiental e político, produzido
pelas relações de pertencimento e por disputas de poder. É um contexto marcado pela negação da existência
indígena, pela tentativa de apagamento histórico da cultura e da ancestralidade, pela invisibilidade dos
problemas socioambientais, pela violência, perseguições e mortes. Desse modo, o objetivo desta pesquisa é
contribuir para os processos de resistência, autorreconhecimento e organização no levante em defesa das lutas
socioterritoriais pela demarcação da terra e pela proteção do Cerrado. Nessa perspectiva, a pesquisa utiliza a
metodologia participativa e investigativa fundamentada no Materialismo Histórico-dialético de Engels e Marx
(1848), nas contribuições de Lefebvre (1974), pela produção do espaço, pela produção social e pelas relações
políticas e culturais e na Investigação-Ação Participante ‒ IAP Borda (1981), abrangendo as dimensões
sociais, territoriais, espaciais e estruturais do Território Indígena de Laranjeiras para explicar o modelo
geográfico. Portanto, esse estudo fundamenta-se na dialética da sistematização da experiência proposta por
Silva (2017), que concebe o processo de construção do conhecimento a partir da observação da participação
militante e da reflexão crítica vivenciadas pelos sujeitos investigados no território.