Quem tem terra, tem medo: Questão Agrária e Disputa Territorial na RIDE-DF
IDE-DF; Brasília; Disputas Territoriais; Agronegócio; Sujeitos do Campo
O trabalho investiga as disputas territoriais entre o agronegócio e os sujeitos do campo – camponeses, posseiros, quilombolas, assentados e acampados – na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal, região que, embora seja uma das que mais crescem no país, concentra de forma pouco visibilizada a questão agrária brasileira: forte presença do agronegócio, concentração fundiária e conflitos por terra. A pesquisa fundamenta-se no materialismo histórico-dialético e toma o território como categoria analítica central, a partir de Raffestin, Souza e Fernandes, combinando revisão bibliográfica, trabalhos de campo junto ao Movimento dos Pequenos Agricultores, entrevistas, análise do discurso, levantamento de notícias e dados oficiais do IBGE e do INCRA. A dissertação está organizada em quatro capítulos: o primeiro estabelece a fundamentação teórica sobre o território; o segundo reconstrói os processos históricos que viabilizaram a região, da colonização e da Marcha para o Oeste à transferência da capital e à modernização conservadora promovida pela ditadura militar, que consolidou o agronegócio e desterritorializou comunidades do campo; o terceiro, por sua vez, analisa a gênese e a configuração atual da RIDE-DF, demonstrando que sua suposta vocação agrícola é construção histórica, apresentando dados que evidenciam a concentração de terra e sobreposição entre a propriedade privada e os territórios comunais.