DESAFIOS DAS MULHERES NEGRAS EM CARGOS DE GESTÃO EM SAÚDE NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS
Gestão em Saúde, raça, gênero, trabalho em saúde
Este estudo investigou as iniquidades de gênero e raça enfrentadas por mulheres que atuaram na gestão e no cuidado em saúde no Sistema Único de Saúde - SUS. O objetivo central foi compreender como essas iniquidades se manifestaram nas experiências das trabalhadoras gestoras do SUS. O pressuposto da pesquisa foi que essas profissionais enfrentaram desigualdades relacionadas ao gênero e à raça/etnia, evidenciadas na dificuldade de acesso a posições de liderança, na escassa representatividade de pessoas negras em cargos de chefia, e na sobrecarga de tarefas que se estenderam além do trabalho remunerado. Além disso, questionou-se sobre as diferentes formas de adoecimento que essas trabalhadoras experimentaram. A pesquisa buscou explorar as trajetórias e desafios específicos das mulheres negras em cargos de gestão no setor público de saúde no Brasil, visando identificar os obstáculos que encontraram em suas funções e propor estratégias que melhorassem sua qualidade de vida no ambiente de trabalho. Os objetivos da pesquisa incluíram: apresentar um panorama detalhado das características demográficas, educacionais e profissionais das mulheres negras em cargos de gestão; mapear e analisar os principais desafios enfrentados por essas profissionais no serviço público de saúde do Brasil; identificar estratégias que promoveram a valorização e a melhoria da qualidade de vida dessas mulheres no ambiente de trabalho. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas, por meio de questionários, com mulheres negras em cargos de gestão comissionados ou de confiança no serviço público federal em todo o Brasil. As trajetórias profissionais, os desafios enfrentados e as estratégias de enfrentamento dessas profissionais foram analisados. Os resultados demonstraram que gestoras negras no SUS enfrentaram iniquidades interseccionais de gênero e raça, manifestadas através de: processos de letramento racial que ressignificaram identidades; assédio e deslegitimação da autoridade; microagressões e invisibilidade profissional; barreiras estruturais à ascensão; e sobrecarga psicossocial. Como estratégias de enfrentamento, desenvolveram redes de apoio, fortaleceram-se na espiritualidade e ancestralidade, e engajaram-se em ações coletivas de resistência, convertendo experiências de opressão em projetos de transformação institucional.