MAPEAMENTO E RECRUTAMENTO DE LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS PARA VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Liderança comunitária; Participação comunitária; Mapeamento; Vigilância em Saúde
Introdução: Às emergências em saúde começam e terminam nas comunidades, que são simultaneamente as primeiras afetadas e a principal fonte de resposta local. O envolvimento comunitário em todas as fases — do planejamento à resposta — é essencial, pois os moradores conhecem o território, as dinâmicas sociais e as vulnerabilidades locais. A participação comunitária, portanto, deve ser estruturada como parte integrante da vigilância em saúde, fortalecendo o vínculo entre a comunidade e os serviços. O mapeamento de grupos, lideranças e partes interessadas representa um passo inicial nesse processo, mas observa-se que, no Brasil e em outros países, essa participação ainda ocorre de forma pouco sistematizada e com limitada integração às estruturas formais de vigilância. Objetivo: Desenvolver um método para o mapeamento e recrutamento de lideranças comunitárias para a vigilância em saúde, com base nas evidências da literatura científica e nas experiências práticas do projeto Guardiões da Saúde: Líderes Comunitários. Método: Estudo exploratório-descritivo, de abordagem qualitativa, composto por três etapas complementares: (1) revisão de escopo para identificar práticas e estratégias de mapeamento e recrutamento de lideranças comunitárias; (2) análise de diários de campo e relatórios produzidos durante a observação participante no projeto Guardiões da Saúde (GdS); e (3) elaboração de um guia metodológico consolidando as etapas e aprendizados do processo. Resultados: Ao todo, foram analisados 16 artigos e 47 horas de registros observacionais, sendo 42 horas referentes às oficinas realizadas no Brasil e 5 horas provenientes de relatórios de Cabo Verde. A revisão de escopo mostrou que os estudos acadêmicos descrevem majoritariamente o recrutamento de voluntários, enquanto apenas parte da literatura cinzenta aborda lideranças comunitárias. Isso evidenciou dois pontos centrais: (1) desafios conceituais e terminológicos na distinção entre voluntários e líderes; e (2) grande diversidade nas abordagens de mapeamento e recrutamento, com etapas e critérios que variam conforme o contexto. A análise dos diários de campo do projeto Guardiões da Saúde identificou como fatores-chave o conhecimento prévio do território, oficinas com abordagem pedagógica participativa, construção de confiança e reconhecimento das lideranças locais por meio de métodos participativos. Conclusões: Os achados mostram que voluntários e líderes têm funções complementares, mas legitimidades distintas, e que formações estruturadas podem apoiar a transição de voluntários para papéis de liderança. Isso é demonstrado por meio do projeto GdS, onde as oficinas contribuíram para fortalecer lideranças existentes e identificar novas, especialmente em contextos com pouca formalização do conceito de liderança. A revisão e a análise empírica indicam falta de sistematização e clareza conceitual na literatura, o que motivou a elaboração de um guia para mapeamento e recrutamento de lideranças comunitárias. O produto final integra teoria e prática, resultando em um modelo replicável e adaptável a diferentes contextos.