EXCLUSÃO DIGITAL E DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE ENTRE IDOSOS: UM DESAFIO À ESTRATÉGIA DE SAÚD EDIGITAL NO BRASIL
Idoso. Saúde Digital. Inclusão Digital. Acessibilidade. Sistema Único de Saúde
A acelerada transição demográfica brasileira e a implementação da Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD28) revelam um paradoxo contemporâneo: a modernização tecnológica do Sistema Único de Saúde (SUS) corre o risco de excluir seu público prioritário, a população idosa. Diante desse cenário, define-se a seguinte questão de pesquisa: em que medida as interfaces digitais da ESD28 oferecem acessibilidade para a pessoa idosa e como suas barreiras de design contribuem para a exclusão digital? Trabalhase com a hipótese de que as atuais soluções digitais governamentais não consideram adequadamente as alterações sensoriais e cognitivas do envelhecimento, transformando a tecnologia em um vetor de iniquidade e vulnerabilidade à desinformação. O objetivo geral é avaliar o grau de acessibilidade e usabilidade do aplicativo "Meu SUS Digital" e do Portal oficial do Ministério da Saúde, identificando as barreiras de design que dificultam a navegação e a compreensão da informação por pessoas com 60 anos ou mais. A metodologia adotada é a Análise Documental de Artefatos Digitais, de natureza descritiva e abordagem qualitativa. O estudo considera as interfaces digitais como documentos multimodais de política pública e utiliza como corpus documental as diretrizes do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), as normas internacionais WCAG 2.1 e heurísticas de usabilidade para idosos. A análise consiste no confronto sistemático entre as normas técnicas (documentos de referência) e as interfaces implementadas (documentos-objeto), visando verificar a conformidade e identificar barreiras que geram iniquidade. Espera-se diagnosticar as principais falhas de interface que geram iniquidade no acesso à saúde e propor, como produto técnico, um Instrumento de Auditoria e Adequação, visando subsidiar gestores públicos na construção de uma saúde digital mais equânime.