ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DA DENGUE NO DISTRITO FEDERAL (2016–2025): IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS DE RISCO PARA SUBSIDIAR ESTRATÉGIAS DE CONTROLE E VIGILÂNCIA DE ARBOVIROSES
Arbovirose; Áreas de Risco; Controle Vetorial; Vigilância epidemiológica; Transmissão vetorial; Série de casos.
As arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, especialmente dengue, Zika e chikungunya, constituem um importante desafio para a saúde pública global e nacional. No Brasil, essas doenças apresentam tendência crescente no número de casos, com a dengue alcançando aproximadamente seis milhões de casos prováveis em 2024 e circulação simultânea dos quatro sorotipos virais no território nacional. Desde 2015, o Brasil também enfrentou a emergência do vírus Zika, associado a graves complicações neurológicas, e a expansão da chikungunya, com elevada carga de morbidade crônica, evidenciando a complexidade e a magnitude do cenário epidemiológico das arboviroses no país. No Distrito Federal, entre 2016 e 2025, foram registrados mais de 520 mil casos notificados de dengue, com destaque para o ano de 2024, que concentrou mais de 52% do total acumulado no período. O território do DF apresenta particularidades que favorecem a manutenção da transmissão das arboviroses: estrutura polinucleada composta por Regiões Administrativas com expressiva heterogeneidade socioespacial, problemas históricos de abastecimento de água, urbanização irregular e elevada desigualdade de renda fatores que, em conjunto, criam condições favoráveis à reprodução do vetor e à persistência da transmissão. Nesse contexto, os programas de controle vetorial têm se mostrado predominantemente reativos e baseados em análises em escalas territoriais agregadas, insuficientes para identificar microáreas prioritárias de intervenção e para captar as heterogeneidades intraurbanas que condicionam a dinâmica de transmissão. Evidências internacionais e nacionais demonstram que a transmissão das arboviroses tende a se concentrar em porções específicas do espaço urbano, formando hotspots persistentes ao longo do tempo, cuja identificação é essencial para o direcionamento eficiente das ações de vigilância e controle. Objetivo: Avaliar a concordância espacial entre as áreas de hotspot de transmissão das arboviroses e os territórios de maior vulnerabilidade socioambiental no Distrito Federal, utilizando o setor censitário como unidade de análise, no período de 2016 a 2025. Trata-se de um estudo ecológico, exploratório e analítico, com abordagem espaço-temporal. Os casos confirmados de dengue, Zika e chikungunya registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) serão georreferenciados por endereço de residência e agregados por setor censitário. A identificação dos hotspots e coldspots de transmissão será realizada por meio do Índice de Getis-Ord Gi*, com metodologia adaptada de Bisanzio et al. (2018), originalmente validada para identificação de padrões persistentes de transmissão em ambientes urbanos heterogêneos. Paralelamente, será construído o Índice de Vulnerabilidade Socioambiental (IVS-DF) por setor censitário, composto por oito indicadores organizados nas dimensões de saneamento e social, com referencial metodológico da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, utilizando dados do Censo Demográfico de 2022. As análises serão realizadas nos softwares QGIS e GeoDa. Resultados esperados: Espera-se a elaboração de uma estratificação territorial do risco de transmissão das arboviroses em escala intraurbana refinada no Distrito Federal, identificando as áreas de maior concentração e persistência da transmissão de dengue, Zika e chikungunya, sua correspondência com os territórios de maior vulnerabilidade socioambiental e os fatores estruturais que sustentam a manutenção da transmissão no território. Conclusão: Espera-se que os resultados subsidiem o planejamento e o direcionamento mais eficiente das ações de vigilância epidemiológica e controle vetorial no Distrito Federal, contribuindo para a construção de estratégias territorialmente contextualizadas, baseadas em evidências e alinhadas às recomendações da Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Arboviroses de 2025.