ANÁLISE DE CUSTO-MINIMIZAÇÃO ENTRE MODELO CENTRALIZADO E POINT-OF-CARE TESTING PARA HEMOGRAMA COMPLETO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL.
Testes Imediatos; Avaliação em Saúde; Custos e Análise de Custo; Atenção Primária à Saúde (APS); Vulnerabilidade Social; Equidade em Saúde; Análise Multinível; Contagem de Células Sanguíneas.
Avaliação econômica consiste na análise comparativa de estratégias em termos de custos e desfechos em saúde, caracterizando-se por dois aspectos centrais: a ênfase em comparações entre intervenções de finalidade equivalente e a sistematização da relação entre custos e desfechos em horizonte temporal definido. Este estudo teve como objetivo avaliar a relação de custo-minimização entre o modelo centralizado de coleta e análise de hemograma completo (HC) e o Point-of-Care Testing (PoCT) em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal, bem como estimar o impacto orçamentário da implantação de analisadores hematológicos automatizados de 3 e 5 partes na rede de APS do Distrito Federal. Para tanto, empregou-se a Análise de Custo-Minimização (ACM), método apropriado a intervenções de eficácia clínica equivalente e voltado à identificação da alternativa de menor custo, considerando custos diretos, indiretos e operacionais. O estudo também examinou a distribuição territorial dos exames de HC na Atenção Primária à Saúde do Distrito Federal, por meio de delineamento transversal, quantitativo, descritivo e analítico, com 181 UBS e 33 Regiões Administrativas, utilizando dados secundários de março de 2023 a março de 2024 associados ao Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), com estatística descritiva, correlações de Pearson e Spearman e análise de variância. Identificou-se correlação negativa significativa entre vulnerabilidade social e acesso aos exames nas UBS, indicando que unidades localizadas em áreas mais vulneráveis realizaram proporcionalmente menos hemogramas, enquanto a análise por Região Administrativa revelou padrão distinto, influenciado pelo fator populacional, o que aponta para a necessidade de abordagens multinível na compreensão das iniquidades em saúde. Na avaliação econômica, conduzida sob a perspectiva da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, comparou-se o modelo atual de coleta e análise centralizada (MACA) ao modelo baseado em PoCT em 155 UBS, mediante abordagem de microcusteio híbrido que considerou custos de sala de coleta, transporte, processamento laboratorial e utilização de analisadores hematológicos em regime de comodato. O custo médio por exame variou entre R$ 2,56 e R$ 3,72 no modelo tradicional, ao passo que o PoCT apresentou custo aproximado de R$ 18,10 por exame nas condições avaliadas, de modo que, embora o modelo centralizado tenha se mostrado mais econômico, o PoCT evidenciou potencial de otimização operacional, redução de deslocamentos, melhoria do fluxo assistencial e maior celeridade diagnóstica. Como produto técnico, exigência formal do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, elaborou-se Relatório Técnico Conclusivo que consolida os achados de custo e equidade em recomendações técnico-operacionais para padronização e governança da incorporação do PoCT na APS, estruturadas em roteiro de implantação por etapas. Conclui-se que a incorporação do PoCT na APS deve considerar não apenas custos diretos, mas também benefícios organizacionais, logísticos e clínicos, associados à necessidade de investimento em tecnologias diagnósticas mais acessíveis, econômicas e sustentáveis, capazes de fortalecer a equidade, a resolutividade e a sustentabilidade do SUS.