INTERNAÇÕES E MORTALIDADE PREMATURA POR DOENÇAS CARDIOVASCULARES NO BRASIL: UMA ANÁLISE DE DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E TENDÊNCIA TEMPORAL, 2014-2024.
Doenças Cardiovasculares; Morbidade; Mortalidade Prematura; Sistema Único de Saúde; Brasil
Introdução: As Doenças Cardiovasculares (DCV) são amplamente reconhecidas como uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, respondendo por aproximadamente 40% das mortes globais. As mortes prematuras (30 a 69 anos) por doenças cardiovasculares, somadas à elevada ocorrência de internações, geram desafios para a saúde pública devido ao elevado impacto social e econômico. Objetivo: Analisar a tendência temporal e a distribuição espacial das internações e da mortalidade prematura por DCV no Brasil, no período de 2014 a 2024. Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico, com análise da tendência temporal e da distribuição espacial das taxas de internação e de mortalidade. Para investigação da tendência e da distribuição espacial entre os grupos, as taxas foram estratificadas por sexo, raça/cor, regiões e unidades da federação do Brasil. Os dados de internações foram obtidos por meio do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), e os dados de mortalidade, pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), ambos do Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizados pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS). As estimativas populacionais utilizadas para o cálculo das taxas foram extraídas do repositório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os cálculos estatísticos foram realizados por meio de análise de regressão por pontos de inflexão, utilizando o Joinpoint Regression Program, versão 5.4.0.0, estimando variação percentual anual (APC), variação percentual média anual (AAPC) e intervalos de confiança (IC95%). Foram construídos mapas temáticos da distribuição espacial no software QGIS, versão 3.42. As análises estatísticas espaciais, com o cálculo do Índice de Moran Global e Local (LISA), foram realizadas no software GeoDa, versão 1.14.0. Resultados: Entre 2014 e 2024, foram registradas 7.664.061 internações e 1.543.689 óbitos prematuros por DCV na população de 30 a 69 anos. Observou-se tendência geral de redução das taxas no Brasil entre 2014 e 2024, com diminuição de 820,72 para 721,88 internações por 100 mil habitantes e 157,20 para 135,38 óbitos por 100 mil habitantes. A tendência geral foi de redução das taxas até 2020, seguida por mudanças no padrão. As internações aumentaram entre 2021 e 2024, sobretudo entre homens, (APC=5,0%; IC95% 0,63;11,50), população preta (APC=13,4%; IC95% 1,51; 20,74), e parda (APC= 24,3%; IC95% 15,52; 40,15), e nas regiões Norte (APC=19,5%; IC95% 9,22;37,58) Nordeste (APC 5,3%; IC95% 0,14;12,71) e Centro Oeste (APC=7,47%; IC95% 1,47;16,16). A mortalidade apresentou redução até 2020, seguida de estabilidade, especialmente entre homens (APC=0,2%; IC95% -4,18;-1,32) e população parda (APC=1,4%; IC95% 4,92; -0,74), além de desaceleração nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Na análise espacial, as maiores taxas de internação concentraram-se nas regiões Sul e Sudeste, e as maiores taxas de mortalidade, no Sudeste e Centro-Oeste, com menores valores na região Norte. Foram identificados clusters espaciais Alto-Alto nas regiões Sul e Sudeste e Baixo-Baixo na região Norte. Conclusão: Observaram-se mudanças nos padrões de internações e de mortalidade, com desaceleração ou interrupção de tendências de declínio previamente observadas, além da persistência de desigualdades segundo sexo, raça/cor e região. Tais evidências podem contribuir para o aprimoramento da vigilância desses agravos e para a avaliação mais completa do impacto das DCV na população.