Espírito de contestação: A defesa do teísmo sob a hegemonia do naturalismo
Existência de Deus, basilaridade da crença teísta, ônus da prova, hegemonia de crenças, Alvin Plantinga.
A tese estuda a argumentação sobre a existência de Deus tendo como pano de fundo a basilaridade da crença teísta. Um dos pontos centrais estudados é a atribuição do ônus da prova, que no debate sobre a existência de Deus vem atrelada à objeção evidencialista à crença teísta. Visando a neutralizar a objeção evidencialista, Alvin Plantinga defende a possibilidade de a crença em Deus ser apropriadamente básica, desenvolvendo toda uma teoria, que é chamada de epistemologia reformada. Explico por que, apesar de uma crença básica, por definição, não precisar de argumentos para ser garantida, ainda assim é possível argumentar sobre ela. Defendo também a necessidade de contextualização quando se invoca a basilaridade da crença teísta, pois seu poder explanatório varia conforme o sistema religioso em questão enfatize a experiência ou a crença. Recorro à abordagem de Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca para argumentar que o debate sobre a existência de Deus não comporta ônus da prova, bem como nenhum debate filosófico. Para investigar o motivo de ser atribuído um ônus da prova ao teísta, faço um resgate histórico e mostro que a hegemonia de crenças é o fator responsável pela impressão de que esse ônus existe. Uma vez que a hegemonia atual do naturalismo é ilegítima e que a basilaridade apropriada da crença em Deus é possível, defendo que a rejeição da objeção evidencialista equivale a uma inversão do ônus da prova. Por fim, apresento uma estratégia de defesa do teísmo baseada em três frentes.