[e]STADO DE [e]XCEÇÃO: o aspecto subjetivo da gênese do poder em Agamben
Giorgio Agamben. Método. Estado de exceção. Exceção. Gênese do poder. Covid-19
O presente estudo aborda o termo “estado de exceção” em Agamben e o diferencia de diversas interpretações reducionistas, com o objetivo de ampliar a compreensão do termo para além de análises históricas e jurídicas controversas. Partindo da tematização do obscuro, iniciamos a abordagem do problema direcionando o foco para o fundamento da investigação filosófica de Agamben, qual seja, a sua dimensão metodológica, que, inevitavelmente, opera uma crítica à tradição metafísica ocidental. Em seguida, o objetivo foi reconstruir o conceito de exceção, a partir das interações entre as dimensões políticas e biopolíticas do poder, que torna o estado de exceção um fenômeno complexo e multifacetado, destacando a importância da qualidade humana na regra como fator subjacente à gênese do poder. Por fim, tendo sido subitamente atravessados pelo momento único e avassalador da Pandemia de Covid-19, seguimos com Agamben para explorar as estratégias biopolíticas extraordinárias surgidas, não sem tensões políticas e institucionais sobre a gestão dos corpos, que transformaram as relações de poder e subjetividades, abalando as estruturas do poder democrático moderno e justificando a formulação de um poder destituinte.