Performatividade de gênero: uma proposta subversiva aos problemas da substancialização
Feminismo francês; Genealogia crítica; Heterossexualidade compulsória; Performatividade de gênero; Sistema binário.
Este trabalho investiga o conceito de performatividade de gênero em Judith Butler, a partir de sua crítica às concepções substancialistas e naturalizadas de sexo, gênero e sexualidade, especialmente desenvolvida em Problemas de Gênero (1990/2021). Parte-se da hipótese de que as identidades de gênero não expressam uma essência pré-discursiva, mas são produzidas e reiteradas por normas reguladoras que organizam a inteligibilidade dos corpos. Nesse sentido, a pesquisa examina como Butler, inspirada principalmente na genealogia crítica de Michel Foucault e nas contribuições do feminismo francês, questiona os discursos unívocos que sustentam o sistema binário e a heterossexualidade compulsória. A genealogia foucaultiana permite problematizar a produção histórica das categorias sexuais, evidenciando seu caráter contingente e político, enquanto o feminismo francês contribui para a análise das exclusões produzidas pela linguagem masculinista e pela política identitária. A partir desse quadro teórico, demonstra-se que a performatividade de gênero constitui um dispositivo crítico capaz de expor a artificialidade das normas que regulam o sexo e o gênero, bem como de abrir possibilidades subversivas frente às formas hegemônicas de subjetivação. Por fim, a dissertação argumenta que a crítica butleriana à substancialização do gênero permite compreender como práticas discursivas e institucionais reificam desigualdades como a misoginia e a LGBTQIAPN+fobia, ao mesmo tempo em que aponta para estratégias de contestação das matrizes normativas que produzem tais violências.