O ABSURDO SOB A ÓTICA DA MELANCOLIA: UM ESTUDO DA OBRA L’ÉTRANGER DE ALBERT CAMUS
Albert Camus; O Estrangeiro; Absurdo; Melancolia; Ironia
Esta dissertação investiga a obra L’Étranger, de Albert Camus, sob uma ótica que transcende a interpretação tradicional do conceito de absurdo, propondo a melancolia como chave hermenêutica central para a compreensão do protagonista, Meursault. A hipótese defendida é que o personagem não encarna a revolta camusiana em sua plenitude, mas sim um estágio de paralisia e inação decorrente da lucidez extrema diante da finitude. O trabalho estrutura-se em três eixos fundamentais: (1) Gênese e Biografia: Analisa como as vivências de Camus e sua sensibilidade — marcadas pelo binômio miséria e sol — foram transmutadas na técnica literária que deu origem ao personagem. (2) Estrutura Narrativa: Examina o uso da ironia e da ambiguidade como ferramentas arquitetônicas que sustentam o distanciamento de Meursault e desconstroem as pretensões morais da sociedade. (3) Filosofia da Melancolia: Discute a imobilidade de Meursault frente ao "Sol Negro", símbolo poético de uma consciência que tudo ilumina, mas nada explica, resultando em um exílio metafísico e na ausência de solidariedade necessária para o movimento de revolta. Ao final, conclui-se que Meursault representa o ciclo negativo do absurdo, servindo como uma antítese necessária que demonstra a impossibilidade de se habitar o vazio existencial sem o passo subsequente da transformação e da ação coletiva.