Banca de DEFESA: THIAGO MENDANHA DO NASCIMENTO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : THIAGO MENDANHA DO NASCIMENTO
DATA : 15/07/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Híbrido
TÍTULO:

O alter fascista do super-herói e sua identidade secreta: Crítica da relação entre o gênero superaventura na cultura pop e a extrema direita


PALAVRAS-CHAVES:

Super-heróis; Cultura pop; Teoria Crítica; Neoliberalismo; Fascismo


PÁGINAS: 202
RESUMO:

Esta dissertação investiga a relação contraditória entre o gênero superaventura na cultura pop e a nova extrema direita, analisando como narrativas originalmente concebidas sob pretensões antifascistas passaram a naturalizar valores autoritários no capitalismo neoliberal. O objetivo geral é analisar a operação ideológica da superaventura no cinema (pós-2000), demonstrando que a clássica dupla identidade do super-herói desdobra-se em uma triplicidade que revela um alter fascista, virtualidade autoritária imanente ao arquétipo, homóloga à estrutura da democracia liberal burguesa, que preserva em si as condições de sua suspensão em momentos de crise estrutural do capital. A metodologia adota uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, ancorada na Teoria Crítica (Marx, Lukács, Adorno, Horkheimer e Benjamin) e na análise dialética de discursos presentes em quadrinhos, filmes e manifestações da cultura pop. Os resultados demonstram que a forma ideologia-superaventura atua como um dispositivo de conservação que converte contradições socioeconômicas estruturais em conflitos morais individualizados, legitimando a racionalidade neoliberal e o excepcionalismo político. Observou-se que a transposição da superaventura para o cinema consolidou o superherói como uma supermarca e um monumento à impotência das massas, onde a espetacularização da violência e o culto ao indivíduo salvador substituem a deliberação democrática. A pesquisa aponta que figuras da extrema direita e magnatas da tecnologia apropriam-se dessa gramática simbólica para performar autoridade, operando como sujeitos atomizados que, sob uma fachada heroica, agem como proprietários absolutos do espaço público, convertendo a segurança coletiva em ativo pessoal que privatiza a paz e normaliza a vigilância. Identificou-se, ainda, que as tentativas de subversão progressista da superaventura tendem a cair na armadilha semiótica: sua gramática visual autoritária neutraliza a intenção crítica do roteiro, resultando em um progressismo neoliberal identitarista incapaz de romper com as relações de exploração estruturais. Conclui-se que o super-herói funciona como uma super-armadura ideológica do capitalismo contemporâneo, promovendo uma regressão crítica e a atomização do coletivo. A emancipação humana diante desse imaginário exige não apenas a recepção crítica, mas o deslocamento do salvacionismo individual em direção à práxis coletiva e à imaginação de alternativas anticapitalistas, rompendo com o fetiche da mercadoria cultural.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - FREDERICO LYRA DE CARVALHO
Interno - 1998631 - GILBERTO TEDEIA
Presidente - 3371276 - GIOVANNI ZANOTTI
Interna - 2007664 - MARIA CECILIA PEDREIRA DE ALMEIDA
Notícia cadastrada em: 02/07/2026 16:26
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