Banca de DEFESA: JEFERSON SCHOENSTATT CARVALHO ROCHA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JEFERSON SCHOENSTATT CARVALHO ROCHA
DATA : 15/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Presencial
TÍTULO:

O SOFRIMENTO ENTRE A CRÍTICA NIETZSCHIANA DA DECADÊNCIA E A ALTERIDADE NA TEOLOGIA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA


PALAVRAS-CHAVES:

Nietzsche. Sofrimento. Cristianismo. Teologia contemporânea. Alteridade. Filosofia da religião.


PÁGINAS: 80
RESUMO:

O sofrimento ocupa lugar central tanto na crítica de Friedrich Nietzsche ao cristianismo quanto na reflexão da teologia cristã contemporânea, constituindo um dos principais pontos de tensão entre filosofia e teologia. Ao denunciar a moral cristã como expressão do ressentimento, da culpa e da negação da vida, Nietzsche atribui ao cristianismo a transformação do sofrimento em instrumento de domesticação da existência, convertendo a dor em valor moral e enfraquecendo a potência afirmativa do ser humano. A força dessa crítica, contudo, suscita uma questão decisiva: ela atinge necessariamente o núcleo da mensagem cristã ou dirige-se, sobretudo, a determinadas configurações históricas do cristianismo que moralizaram o sofrimento e desvalorizaram a vida presente? É a partir dessa tensão que a presente dissertação analisa o diálogo entre a filosofia nietzschiana e a teologia cristã contemporânea, buscando compreender em que medida a crítica de Nietzsche permanece filosoficamente válida e quais respostas a reflexão teológica atual oferece às suas objeções. A pesquisa, de natureza bibliográfica, fundamenta-se na análise das principais obras de Nietzsche dedicadas ao tema, especialmente O Anticristo, Para a Genealogia da Moral, Além do Bem e do Mal, Crepúsculo dos Ídolos e Ecce Homo, em diálogo com comentadores especializados e com autores representativos da teologia contemporânea, entre os quais Bruno Forte, Andrés Torres Queiruga, Dorothee Sölle, Hans Küng, Bento XVI e Mário Gomes. A investigação evidencia que Nietzsche compreende o sofrimento como dimensão constitutiva da existência e dirige sua crítica não à dor em si mesma, mas às interpretações religiosas que a transformam em culpa, resignação ou promessa de compensação transcendente. Sua genealogia revela como determinadas formas históricas do cristianismo contribuíram para a interiorização da culpa, para a exaltação do ideal ascético e para a desconfiança em relação à vida concreta. Em contrapartida, as perspectivas da teologia cristã contemporânea examinadas nesta pesquisa reconhecem a pertinência desse diagnóstico e procuram reinterpretar o sofrimento à luz da alteridade, da liberdade, da esperança e da responsabilidade ética, recusando leituras doloristas, fatalistas ou legitimadoras da opressão. Nessa perspectiva, o sofrimento deixa de ser compreendido como castigo, mérito ou finalidade em si mesmo para ser entendido como experiência inerente à condição humana, capaz de suscitar cuidado, solidariedade e transformação. A crítica de Nietzsche conserva, assim, sua atualidade enquanto denúncia das distorções históricas do cristianismo, mas não esgota as possibilidades da reflexão teológica contemporânea. Ao reconhecer a força dessa crítica sem renunciar ao núcleo da experiência cristã, a teologia reafirma uma compreensão do sofrimento comprometida com a afirmação da vida, a dignidade da pessoa humana e a abertura à transcendência, revelando que o diálogo entre Nietzsche e o pensamento teológico permanece não apenas possível, mas filosoficamente fecundo para a compreensão da condição humana.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 405020 - AGNALDO CUOCO PORTUGAL
Externo à Instituição - FLAVIO AUGUSTO SENRA RIBEIRO - PUCMINAS
Interno - 1545164 - MARCIO GIMENES DE PAULA
Externo ao Programa - 1217330 - VICENTE CARLOS RODRIGUES ALVAREZ DOBRORUKA - null
Notícia cadastrada em: 27/08/2026 11:14
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