PARA ALÉM DO SENHOR E DA ESCRAVA: lendo Louis Althusser hoje e Denise Ferreira da Silva ontem
Althusser, Denise Ferreira da Silva, aceleracionismo, hantologie, marxismo analítico, confluência.
Apoiando-me na estratégia de Nego Bispo, proponho uma confluência entre Louis Althusser, as correntes filosóficas do aceleracionismo (das décadas de 1970 e 1990), a hantologie derridiana, o marxismo analítico e o pensamento de Denise Ferreira da Silva. Para isso, apresento o conceito de “deflação hegeliana”, que me permite analisar e relacionar o “corte epistemológico” althusseriano enquanto um gesto que dá abertura para um caminho não dialético que confluo com as correntes e Silva. Também destaco a importância do maoísmo no pensamento althusseriano, que permite a proposição de um “Marx não-ocidental e mais integrado ao Sul Global” e relacionar com o que chamo de “afluência das margens” à crise ontoepistemológica que impôs uma reconfiguração da noção de Estado-nação. Para confluir, trabalho três categorias: a dialética (hegeliana), a contradição (vista enquanto diferença) e o humanismo (como filosofia e construto científico). O pensamento de Silva desloca o eixo epistemológico althusseriano para uma questão mais profunda, a intraestrutura ontoepistemológica da modernidade, também expõe os pontos-cegos na teoria althusseriana e marxiana, e abre a possibilidade de uma ponte-canal entre o pensamento de Silva e de Althusser. Tal ponte permite ir de Silva à Althusser, no sentido de uma possível defesa da teoria marxiana, confluindo o que Silva chama de “texto moderno” com os “três obstáculos epistemológicos” que Althusser identifica na etapa humanista marxiana (as noções de sujeito, alienação e homem), e ir de Althusser à Silva, no sentido de um derretimento da filosofia moderna e no risco de perder o próprio Marx.