A Hospitalidade como um caminho ético possível para a paz universal
Derrida; Hospitalidade; Kant; Levinas; ética
A partir dos seminários de Jacques Derrida realizados entre 1995 e 1997 e publicados como Hospitalité I (2021) e Hospitalité II (2022), este trabalho busca compreender a relação entre hospitalidade condicionada e incondicional e investigar como essa tensão pode contribuir para pensar a paz e o acolhimento do estrangeiro, especialmente diante dos atuais processos migratórios. A pesquisa divide-se em duas partes: a primeira aborda a hospitalidade condicionada, a partir de Kant, vinculada às leis, fronteiras e soberania; a segunda trata da hospitalidade incondicional, fundamentada em Levinas, como abertura irrestrita ao Outro. Embora distintas, ambas se coimplicam, pois a hospitalidade necessita de condições para efetivar-se, mas deve permanecer aberta ao que as excede. A pesquisa divide-se em duas partes: a primeira aborda a hospitalidade condicionada, a partir de Kant, vinculada às leis, fronteiras e soberania; a segunda trata da hospitalidade incondicional, fundamentada em Levinas, como abertura irrestrita ao Outro. Embora distintas, ambas se coimplicam, pois a hospitalidade necessita de condições para efetivar-se, mas deve permanecer aberta ao que as excede. A partir do direito cosmopolita de Kant, especialmente do direito de visita, Derrida evidencia que a hospitalidade jurídica, embora necessária à convivência entre os povos, é eticamente insuficiente. Regulada pela soberania e pelas leis, ela pode favorecer uma paz jurídica, mas não elimina a exclusão do estrangeiro. Por isso, a paz exige também uma abertura ética ao Outro. Nesse sentido, a reflexão derridiana permite relacionar hospitalidade, migração e paz. Se acolher significa também dar lugar ao outro, a hospitalidade não pode restringir-se à autorização formal de entrada em um território. É necessário criar condições concretas para que aquele que chega possa efetivamente encontrar abrigo e lugar. Essa perspectiva aproxima a hospitalidade de questões como refúgio, moradia, alimentação e vulnerabilidade, sem transformá-la em uma teoria social propriamente dita. Assim, pensar a paz a partir de Derrida significa considerar não apenas o fim da violência, mas também as condições éticas e materiais que tornam possível o acolhimento do Outro.